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O texto é um depoimento inédito do líder indígena Álvaro Tukano, que relata a história das lutas dos povos indígenas a partir de sua visão. No impresso, foi reduzido por questões de espaço, mas aqui segue na íntegra. Guarda marcas de oralidade por ter sido ditado e transcrito. Os usos da palavra "índio" e as visões sobre a participação de alguns personagens nas lutas respeitam o discurso do autor. Os termos entre parênteses e as notas de rodapé são de responsabilidade dos editores do Pernambuco.

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No Alto do Rio Negro, depois de muitos anos de andança, surgiu uma figura que chamamos de Percá Sê (homem de fogo). Para nós, esse é o homem de fogo, aquele que têm espingarda. É aquele que mata, rouba, toma, ele não quer saber de ninguém. Depois de muitos anos esse homem branco chegou e dividiu a nossa sociedade do Rio Negro, e continua dividindo até hoje. Antes, nossas vidas eram assim: fazer festas, cantar, preservar, praticar cerimônias. Mas, frente ao inimigo poderoso, foi preciso parar de pensar só nessas coisas, porque isso não seria mais suficiente para a gente ser feliz. Por isso meus antepassados brigaram com os colonizadores. São essas histórias de guerra nos seringais, nos piaçabais e, hoje, com tantos garimpos no Amazonas, eu me lembro de como começou o tempo de tantas mortes, devastação e conflitos na Amazônia, Foi desde 1640, de lá para cá nunca mais tivemos paz. [nota 1]

A igreja sempre esteve presente. Em São Gabriel da Cachoeira (AM), temos bispo e general que são nossos amigos, mas quando queremos tratar da questão indígena, eles não deixam você dizer o seu direito. Da mesma forma é o Congresso Nacional, ele não respeita. Só os direitos que atendem aos interesses deles que vale. Meu pai passou muito tempo brigando com portugueses e espanhóis por volta de 1912, tempo em que falávamos nhengatú, uma mistura de português com tupi-guarani. Meu avó falou nhengatú por entender que era preciso. Depois ele colocou meu pai, Akito, na escola dos missionários para aprender a ler e escrever, ler as leis da igreja e do Estado. Por isso nós fomos isolados de nossos pais, quando fomos mandados para o internato, e lá nos proibiam de praticar nossas tradições antigas. Só podíamos rezar e rezar… sem destino.

Sobre o movimento indígena no Brasil, ele sempre aconteceu em todo o país, pois todo povo, ou quase todos os povos, tem seus líderes. Mas o Brasil sofreu com essa batalha desigual, ao longo desses séculos de colonização. Quando eu vivia no Rio Negro, tive inimizade com um bispo que era muito ligado as forças armadas. [nota 2] E o objetivo das forças armadas e dos missionários durante as missões era eliminar as culturas, as línguas indígenas, deixar o índio sem nada, sem território, sem nenhum direito. Essa briga foi péssima, horrível! E essa briga foi apresentada por mim, como testemunha, quando não concordei com certas atitudes do Estado ou da Igreja ao atacarem os povos indígenas. Fiz denúncia no Tribunal Bertrand Russell na Holanda [nota 3], em 27 de novembro de 1980. Quando cheguei em Brasília (para seguir para o Amazonas), não pude voltar para minha aldeia porque era o bispo quem controlava os aviões da FAB para o Rio Negro, então eu fiquei ilhado.[nota 4]

Ao chegar em Brasília, a primeira pessoa que conheci foi Marcos Terena [nota 5], na casa da Memélia Moreira, jornalista da Folha de S.Paulo. Uma aliada que denunciou as barbaridades que se cometiam no país contra os povos indígenas. Marcos Terena começou a entender a importância de se defender os parentes dele que morriam no Mato Grosso do Sul. Foi neste momento que nasceu a ideia de resistência nas Terras Indígenas (TIs). Conheci também Nailton Pataxó, que brigava contra os grandes fazendeiros de cacau na Bahia; Lázaro Kiriri, baixinho do interior da Bahia, muito rezador, estavam demarcando suas terras sem o apoio de ninguém, onde morreu muita gente. Depois conheci os xavantes, entre eles o Mário Juruna, que discutiu com o Estado, cobrou a demarcação das TIs. Em São Paulo, conheci o Ailton Krenak, que recebeu a declaração de guerra pelo Estado brasileiro, assim como outros povos receberam essa declaração de maneira indireta. Por isso nunca tivemos liberdade neste país.

Os antigos morreram, morreram com dignidade. Muitas mulheres também se foram: professoras, mães, as melhores oradoras e defensoras que tivemos, mas por falta de instrumentos não pudemos registrá-las. Essas mulheres continuam até hoje entre nós: são nossas mães, filhas, acadêmicas que continuam observando o comportamento do país sobre os direitos dos povos indígenas. Isso é bom!

Tive que ir para São Paulo, (estava) ameaçado pelas Polícias Federal e Militar de Manaus, me tornei muito conhecido e tive que sair. Lá não tinha lugar para dormir, o que comer, passei a ser fugitivo do Estado. Quando cheguei em Brasília, percebi que aqui não era meu lugar, depois me mudei para São Paulo. Foi lá que conheci sindicalistas, estudantes e passei a ouvir o pensamento de esquerda. Era diferente para mim, mas foi onde me identifiquei. Lá eles me deram ideias, prato de comida. Foi lá que conheci Lula e outros sindicalistas, conheci o pessoal da PUC, da USP, a mídia, e assim nos formamos, e depois formamos o pessoal sem-terra de Curitiba. E toda essa ideia foi se espalhando junto com a defesa da questão indígena. Lutávamos pela Reforma Agrária, que se consolidou com a Constituição de 1988. Perdemos muita gente, mas também continuamos com muita honra, dignidade. Por isso essa Constituição tem valor para nós, e ela valerá a pena desde que a juventude cobre do Estado brasileiro a sua aplicação.

Quem primeiro nos apoiou foi a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), junto com o sr. Edson Sabóia. Bom jurista! Ele nos apoiou junto com seus alunos adeptos à causa, como foi com o Dr. Carlos Frederico Marés e outros. Foi junto com bons antropólogos como a Manuela Carneiro da Cunha [nota 6], o pessoal de São Paulo e Rio de Janeiro, que também fizeram surgir as entidades de apoio à questão indígena. Em Porto Alegre foi a Nailde Ziberman (antropóloga), Júlio Gaider (jurista), que nos apoiaram denunciando os crimes que aconteciam quando a Funai não demarcava as TIs na região Sul. Tivemos as Comissões Pró-Índio de São Paulo e Rio de Janeiro, a ABA (Associação Brasileira de Antropologia), e [os grupos da] a Associação Nacional de Ação Indigenista do Rio de Janeiro e Bahia foram a mais companheira que tivemos para chegar até o final da Constituição de 1988. Também tivemos o CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação), hoje atual ISA (Instituto Socioambiental), o CTI (Centro de Trabalho Indigenista) de São Paulo, e muitas outras ONGs que ainda hoje continuam apoiando e orientando a questão indígena.

Enquanto movimento indígena, criamos a União das Nações Indígenas (UNI) em junho de 1981 [nota 7], em São Paulo, como estratégia para se contrapor a este cenário de corrupção e tutela por parte da Funai. Ao mesmo tempo a sociedade aumentava sua revolta pela falta de paz no país, nós pensamos juntos, criando leis que tratavam da questão indígena no Brasil. A Constituição de 1988 afirmou nosso direito à expressão, a prática de nossas tradições, os territórios enquanto direito originário etc., mas nossa alegria durou pouco e logo percebermos que essa lei não estava sendo cumprida pelo Estado. Vieram novos deputados para o Congresso Nacional, que começaram a escrever leis pelos índios de novo. Por isso falar com homem branco é muito difícil neste país, é muito difícil ser índio num país que diz ser civilizado, rico, enquanto nós morremos de malária, de desnutrição, de outras doenças e a voz do índio continua sem ser ouvida. Por outro lado, sabemos que a Constituição é importante porque nenhum deputado ou senador poderá fazer leis sobre os índios sem nos consultar. Não podem porque não são índios. Eles são nossos aliados, podem nos ajudar, mas não podem decidir o destino de vários povos. Por isso o movimento indígena hoje está refletido nas novas gerações, que são os advogados, advogadas, médicos, professores que continuam de olho na luta indígena, que é complexa e difícil.

Domingos (Marcos) Veríssimo [nota 8], com apoio de Darcy Ribeiro e da (antropóloga) Carmem Junqueira, entre outros intelectuais, formaram o UNI em Campo Grande (MS). Um ano depois fizemos a renovação do quadro da UNI, onde Marcos Terena foi o primeiro indígena a assumir a presidência da instituição, e eu saí como vice-presidente. O Lino Miranha, de Tefé (AM), e Ibis Menino, de Cocal (AL) [nota 9], fomos nós que assumimos essa responsabilidade. Enquanto todos os índios lutavam pela demarcação das Tis, foi muito fácil a gente falar a mesma linguagem e assim se formaram mais de 240 organizações indígenas no país, uma força política que passou a ocupar espaço nos jornais e na mídia internacional. A sociedade brasileira também passou a se posicionar e dar razão para nós indígenas defendermos nossas terras, a ecologia contra todo esse tipo de exploração. Mas o mais destacado foi o Mário Juruna, muita gente debochou dele, mas ele não brincou com o Estado. [nota 10] Ele foi gente de pouco conhecimento acadêmico, mas era bom pensador e até hoje foi o único deputado federal (indígena) que o país teve. Igual ele, tão cedo, nós não teremos. Depois veio o Raoni Kaiapó, junto com seu sobrinho Megaron [nota 11], depois veio o Aritana com o pessoal do Xingu. [nota 12]

Assim nós estávamos construindo a Constituinte no Brasil. Foi junto com o Lula, que é amigo de milhões de brasileiros, e eu sou um deles. Juntos unimos a voz dos índios e trabalhadores, e nossa voz foi para o mundo. Muita gente que estava com medo de voltar para o Brasil começou a se fazer movimento aqui no Brasil, como um direito dos exilados voltarem a morar aqui. Foi então que começamos a redigir o texto indígena. Depois, apareceram os caiapós, e o Paulinho Paiakan como um destaque. [nota 13] Foram os grandes guerreiros que enfrentaram o Projeto Carajás, maior empresa de minas no Pará, que a Vale do Rio Doce foi proprietária até o FHC vender a estatal. [nota 14] Os xavantes apareceram também como grandes guerreiros. Depois nos unimos com os povos da Região Sul, os macro-jê, geralmente eles são guerreiros. Eles não são de festa não! São de defesa mesmo. Foi muito forte o nosso movimento indígena. Perdemos gente como o Ângelo Cretã, Marçal de Souza e outros tantos líderes. [nota 15]

 

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Essas mortes também nos incentivaram para nós, a gente não parar de lutar. A maioria de nossos líderes foram assassinados. Assim surge Davi Kopenawa [nota 16], para defender a Amazônia. Formamos a COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), surgiu o Moura Tukano [nota 17], um dos grandes articuladores do movimento indígena no país, o (Ailton) Krenak como jornalista que ficou responsável para carregar esta cruz pesada lá em São Paulo. Então esse texto teve o apoio de muitos índios, muitas índias, era um parto que estava para acontecer com a chegada da Constituição Federal de 1988. E este parto aconteceu, e foi lindo. Lindíssimo!.

A importância, para os indígenas e não indígenas, da Constituição Federal de 1988 era o pensamento de que ela traria paz e mudança nas decisões políticas. Historicamente, a voz dos índios não foi valorizada, quando o que predominou pelas centenas de anos foi o poder dos missionários, dos garimpeiros. E foi depois de muitos conflitos que meus antepassados sofreram que entendemos que as leis feitas pelos brancos (não indígenas) não serviriam para nós, povos indígenas, e que só traz medo. Por exemplo, se você não for cristão, você é pecador e será penalizado às penas do Estado brasileiro. Assim era preciso se tornar cidadão, se tornar cristão para somente depois termos direito a opinar.

O movimento indígena foi um movimento autêntico, conseguimos chegar lá através do Ailton Krenak, que é um brilhante acadêmico, bom orador. Ele tem sido nosso porta-voz e nós estamos lá com boas articulações políticas, principalmente do Bernardo Cabral (AM), meu amigo de verdade, que foi relator da Constituição (da Assembleia Constituinte). Lá no Congresso, pisávamos quase todos os dias para ver se o que eles faziam estava certo ou não. Lá nós fizemos amizade com políticos como Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, o senador Ronan Tito (MG). Não tínhamos um partido indígena, era uma sociedade mista onde cada um defendeu a Constituição. A nossa parte foi uma versão própria. Claro! Com apoio de aliados. Fizemos aliança com os trabalhadores sem-terra, os rurais e das florestas. Essa era a visão daquela época onde o Brasil era o foco dos ecologistas, e é até hoje. Não pintamos nossa cara para fazer festa não, nós nos pintamos para mostrar que nós somos diferentes. Foi a união de povos diferentes. O Brasil não pode ser só de uma crença, nem de um partido, ainda mais quando se fala da questão indígena. Nós temos muitos índios, muitas índias, muitas crenças, sabedorias, e isso tem crescido mais depois da Constituição. Ser índio numa Constituição que foi feita por nós.

Hoje, nós temos esta lei. Mas infelizmente nossos inimigos continuam no poder. No Congresso, STF, nos ministérios e estão loucos para roubar ouro, água, todo tipo de minério, madeira e a biodiversidade de modo geral. Essa é a maior tentação do homem colonizador, e por causa disso que estamos nesta batalha. É por isso que não querem demarcar as TIs. Nós, índios, temos o usufruto de 13% das terras brasileiras, mas que continuam sendo terras da União, e são nas TIs que estão as maiores riquezas. O futuro do país estão em nossas terras, por isso que querem nos roubar. Para não permitir que isso ocorra, nós continuamos como plantonistas, prestando serviços ambientais para o povo brasileiro e para o mundo. Demarcar as TIs é obrigação do Estado.

Um bom trabalho que deve ser feito à sociedade brasileira é falar de nossas origens. O negro não deve ter medo de ser negro, o índio que tem sangue forte, que são as suas raízes, deve assumir essa identidade, então o Brasil é um país mestiço. O Brasil não pode ser dirigido por pessoas que não conhecem os povos indígenas, nem a situação real da maioria dos brasileiros. Por isso precisamos de novas tecnologias brasileiras, temos que ter autonomia. O índio muda junto com a sociedade brasileira, e não pode continuar morrendo de fome ou de malária enquanto os outros vivem bem. Os outros têm melhores escolas, o índio também precisa. Se os outros têm celular, eu também preciso. Quem não quiser nada de progresso, que tire a roupa e suma. Mas eu não posso sumir, preciso que meus filhos, minhas filhas tenham acesso às universidades para poderem nivelar o conhecimento, essa discussão, que é deles. E é essa discussão que dará a luz de como deverão ser ocupados os territórios indígenas para dar autonomia econômica, cultural nas TIs dentro do Estado brasileiro. O que precisamos é organizar o povo, muitos povos indígenas.

As reivindicações de minha comunidade não funcionam aqui em Brasília sem a minha cobrança. Do contrário eu estaria lá, com meu povo. Muita gente me diz que meu lugar não é aqui, eu respondo: E, se eu for morar no mato, quem ficará em meu lugar para defender os meus direitos? É você quem vai me defender? Como é que você vai me defender? Sendo funcionário público da Funai ou de outros órgãos que apoiam os índios? Vocês vão apoiar os índios neste sentido? Para mim isto não é me defender. É se aproveitar de mim, de minha fraqueza, da pobreza que está em minha comunidade. Por isso defendo que o Estado deva dar ouvidos às nações de índios com projetos de cultura em todo o país. Quem precisa dizer somos nós, indígenas, sobre projetos de educação, projetos econômicos e de autonomia, é isso que nós queremos. O que eu sonho mesmo é ter uma nova formação da sociedade brasileira, porque esta sociedade que está aí não serve. Esse modelo que está aí não serve para nós, é preciso ter muito diálogo.

 

NOTAS

Os livros Povos indígenas do Brasil são referidos junto com ano e página. A íntegra das obras para consulta se encontra aqui.

[nota 1]. Uma bula papal de 1639 condenou a escravidão dos indígenas. A partir de então, esses povos, que deveriam ser catequizados e alfabetizados, ficaram ainda mais à mercê da Igreja Católica.

[nota 2]. Trata-se de Miguel Alagna, responsável pela prelazia do Alto Rio Negro. Em 1981, o missionário Eduardo Lagório confirmou a violência da missão religiosa na região. Afirmou que mulheres indígenas eram levadas a Manaus para trabalharem como domésticas em casas de militares e terminavam se prostituindo em razão de baixos salários e da dificuldade para se adaptar à cidade. Lagório recebeu do próprio Alagna ordens para castigar os indígenas que falassem as línguas tukano, pois, segundo o bispo, “eles devem falar somente o português. Eu mesmo castiguei muitos índios”. A punição consistia em escrever cem vezes a frase “Eu não vou falar mais tukano, vou falar apenas português”. Ver Povos indígenas do Brasil (1981), p. 5,6 e 91.

[nota 3]. Tribunal internacional criado para julgar simbolicamente agressões e etnocídios praticados contra povos indígenas americanos (ver Povos indígenas do Brasil, 1981, p. 45–47).

[nota 4]. “O índio Álvaro Tukano, o primeiro a denunciar a prostituição e descaracterização do grupo, imposta pelos salesianos do Rio Negro, não pode voltar a Manaus, onde estuda. Os companheiros de Álvaro Tukano que moram em Manaus estão preocupados, pois frequentemente são procurados pela Polícia Federal, que quer saber do paradeiro do índio” (Povos Indígenas do Brasil, 1981, p. 91).

[nota 5]. Liderança do povo Terena (MS). Um dos fundadores da UNI, da qual foi presidente, lutou pelos direitos dos indígenas na Constituinte, foi o primeiro indígena a gerenciar o Memorial dos Povos Indígenas de Brasília.

[nota 6]. Manuela Carneiro da Cunha, antropóloga luso-brasileira engajada na militância e em pesquisas sobre indígenas. Autora de, entre outros, Direito dos índios.

[nota 7]. Diz uma matéria da Folha de S.Paulo de 9 julho de 1980: “Quinze nações já estão comprometidas com a criação da UNI (…), lançada no dia 7 de junho na aldeia Terena do Mato Grosso do Sul e divulgada ontem na conferência Criação da Federação Indígena Brasileira. (…) A UNI é o resultado da fusão da Unind, criada por estudantes indígenas de Brasília em abril, com o projeto da Federação dos Povos Indígenas do Mato Grosso do Sul, convocada pelo chefe Terena Domingos Marcos”. Ver Povos Indígenas do Brasil (1980), p. 38.

[nota 8]. Liderança do povo Terena. Foi presidente provisório da UNI em 1980, quando das negociações para sua criação. Faleceu em 2005.

[nota 9]. Lino Cordeiro, do povo Miranha (AM), tornou-se secretário da UNI na mesma ocasião. Ver Povos indígenas do Brasil (1981), p. 72. Por e-mail, Álvaro Tukano conta que Ibis Menino, liderança no Nordeste, defendeu a demarcação das TIs na região e foi perseguido pelos políticos. “Foi alvejado na frente dos filhos e tombou na porta de sua casa. Foi meu grande companheiro de luta.”

[nota 10]. Mário Juruna foi o primeiro e único deputado federal índigena do Brasil. De origem xavante (MT), elegeu-se em 1982 pelo Rio de Janeiro. Percorria os corredores da Funai para lutar pela demarcação dos territórios com um gravador. O objetivo era registrar o que diziam os brancos para depois constatar que não cumpriam a palavra. Criou a Comissão Permanente do Índio no Congresso.

[nota 11]. Liderança caiapó (MT e PA) mundialmente reconhecida por seu engajamento nas lutas dos indígenas brasileiros. Seu sobrinho Megaron é o atual cacique.

[nota 12]. Aritana é líder dos indígenas yawalapiti do Alto Xingu (MT).

[nota 13]. Paulinho Paiakan, líder caiapó. Em 1992, estuprou uma estudante de 18 anos, crime cometido com a ajuda de sua esposa.

[nota 14]. O Projeto Carajás explora recursos minerais (especialmente ferro) em região que abrange três estados (TO, PA e MA). Foi criado pela Vale do Rio Doce no governo Figueiredo.

[nota 15]. Ângelo Cretã, do povo Kaingáng (PR), primeiro vereador indígena do país (1976). Morreu em 1980 num acidente de carro. Marçal de Souza, líder guarani que brigou pela demarcação das terras dos kaiowá (MS), em 1980 relatou ao papa João Paulo II que as tribos brasileiras estavam sendo dizimadas. Foi assassinado em 1983. Ver Povos indígenas do Brasil (1983), p. 229-230.

[nota 16]. Liderança ianomâmi de renome mundial. Articulador da demarcação das terras de seu povo, ocorrida em 25 de maio de 1992 e que abrange mais de 90 mil km² nos estados de RR e AM. Ver Povos indígenas do Brasil (1991–1995), p.226.

[nota 17]. Moura Tukano, um dos fundadores da COIAB, integrou a Comissão Nacional de Política Indigenista.

 

 

* Álvaro Tukano é uma das mais importantes lideranças indígenas do Brasil

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