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A Cosac Naify fez um trabalho incrível em editar no Brasil um dos nomes mais potentes da literatura contemporânea, o catalão Enrique Vila-Matas. Desde o final da editora que não houve notícia concreta alguma da futura casa no país. Sem editora por aqui, mas lançando hoje, 14 de fevereiro, nas livrarias espanholas, uma novela que chega já elogiada pela crítica: Mac y su contratiempo, que retoma seu fascínio por flagrar o motor literário.

Aproveitando o lançamento de um novo Vila-Matas, a jornalista e pesquisadora do catalão, Priscilla Campos, faz uma lista do seu essencial. Destaque para El viento ligero em Parma, inédito no Brasil.

 

A viagem vertical (1999): Indico como primeira leitura, início de percurso. Aos 77 anos, o nacionalista Federico Mayol é um personagem que conquista e irrita o leitor, guiando a narrativa de maneira ranzinza, mas com argumento, fluxo do pensamento afiados. Após um casamento falido, Mayol abandona Barcelona e vai em busca do abismo e de seu trauma essencial em outras cidades: Porto, Lisboa, Ilha da Madeira. Um esboço elucidativo de como Vila-Matas vai trabalhar o conceito de espaço, posteriormente, em Doutor Pasavento Dublinesca, por exemplo.

El viento ligero en Parma (2004): Ótima seleção de ensaios – gênero dominante na produção de VM, um ensaísta caprichoso. Cinema, leituras, deslocamentos, paisagens são os motes principais dos textos; difícil delimitar destaques, mas escolho dois: 1. Nunca se logra hablar de lo que se ama – Barthes e Stendhal, memória, amor, diários; Vila-Matas, mais uma vez, o elo entre um escritor e outro. 2. El viento ligero en Parma, ensaio que dá o tom da reunião. O poeta Attilio Bertolucci e a cidade de Parma são os protagonistas, o espanhol destrincha o espaço a partir dos versos de Attilio e das imagens de Bernardo, pai e filho como fios condutores de um mosaico geográfico-memorialista.

Doutor Pasavento (2005): Ponto chave na obra do espanhol. Para além do seu fervoroso intuito em desaparecer – argumento que será construído, principalmente, através do conceito de memória da biblioteca – Andrés Pasavento é um caminhante atento. Na sua sombra, disputando o protagonismo da trama, estão os espaços públicos e privados de algumas cidades, em especial, Paris. A Rue Vaneau é, ao mesmo tempo, local tangível e fantasma, voltando sempre ao enredo de maneira recordativa, misteriosa. O romance concentra os principais componentes da escrita vila-matiana: narrador neurótico, reconfiguração dos elementos urbanos na paisagem, apagamento do eu autoral, pleno domínio dos mecanismos intertextuais.

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