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Para aproveitar o lançamento do romance inédito de Roberto Bolaño (1953-2003), O espírito da ficção científica (Companhia das Letras), que chega a amanhã (10) às livrarias, uma lista com o melhor do escritor chileno. A seleção dos títulos foi feita pelo nosso editor, Schneider Carpeggiani, especialista na obra do autor.

 

Estrela Distante (1996) – Primeira grande novela de Roberto Bolaño, em que já estão presentes as obsessões que apareceriam nos anos seguintes em suas obras mais famosas, a saber: a busca por um escritor desaparecido movida pelo fascínio de seguir alguém que não se mexe; a literatura como porta de entrada do Mal; o golpe de Pinochet e/ou o fantasma do golpe de Pinochet; a memória como arapuca; e aquela coisa que aparece do outro lado da rua quando fechamos a janela ou olhamos para o outro lado. Estrela distante é uma reescritura de um dos contos do bestiário La literatura nazi en America (ainda inédito no Brasil). Uma reescritura, segundo Bolaño, movida pela maldição de Pierre Ménard.


Putas assassinas (2001) – Melhor seleta de contos de Bolaño, em que estão presentes alguns dos textos fundamentais para compreendermos tanto o impacto da sua produção quanto o pensamento dos autores do pós-Boom. No conto O olho Silva, que abre o volume, a descrição mais clara de alguém que se reconhece sobrevivente de um trauma/de uma geração que se reconhece sobrevivente de um trauma: “Vejam como são as coisas: Mauricio Silva, vulgo o Olho, sempre tentou escapar da violência, mesmo com o risco de ser considerado covarde, mas da violência, da verdadeira violência, não se pode escapar, pelo menos não nós, os nascidos na América Latina na década de cinquenta, os que rondávamos os vinte anos quando morreu Salvador Allende.”


2666 (2004) – Bolaño, certa vez, reclamou dos leitores covardes, aqueles que deixam de lado os livros maiores e mais problemáticos de um escritor, procurando conforto em obras menores, ainda que geniais. É o caso de quem prefere o Melville de Bartleby, o escrivão ao Melville de Moby Dick. 2666 é o Moby Dick de Bolaño ou o seu O castelo (Kafka). Um livro Zumbi, em que suas cinco partes não constituem um Todo homogêneo, tal e qual o corpo do Frankenstein, em que algo morreu, ou se perdeu pelo caminho. E é justamente essa falta que faz 2666 “andar” em meio a nós.

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