ricardo piglia edgardo gomez

 

Ricardo Piglia (1941-2017) foi um dos mais importantes escritores latino-americanos da segunda metade do século 20. Sua obra atravessou ficção e ensaio com resultados exemplares. Talvez tivéssemos compreendido muito menos o impacto da ditadura argentina sem o seu romance Respiração artificial.

É com Piglia que começamos uma nova série no Pernambuco, “o que ler de...”, espécie de ficha de leitura para auxiliar nossos leitores a se iniciarem em escritores com obra já muito vasta. As indicações do melhor da obra do argentino foram feitas por Gustavo Silveira Ribeiro, professor de literatura da UFMG e organizador de Toda a orfandade do mundo: escritos sobre Roberto Bolaño (Ed. Relicário, 2016). Ribeiro está no processo de selecionar textos para A primeira carta do futuro, coletânea de ensaios sobre a obra de Ricardo Piglia.

 


Respiração artificial (1980)

“Primeiro romance de Piglia, é uma espécie de súmula da sua obra: ali estão duas de suas elaborações fundamentais: o narrador paranoico, que como um detetive frustrado procura obsessivamente os sentidos da História e da Tradição, pensados como as pistas de um crime; e a mistura inextricável, tornada sua assinatura, de ficção e ensaio – onde Piglia revela ser um arguto leitor do cânone argentino, suas ramificações com o Ocidente, suas ligações com o passado e a questão nacional. É também o grande romance da ditadura (1976-1983), projeção terrível do Mal, repetição histórica que localiza as sombras do nazismo nos escombros do autoritarismo das Juntas Militares.”


Formas breves (2000)

“Reunião de pequenos ensaios, entradas de um diário e sofisticadas peças críticas, o livro revela a capacidade de concisão do autor, bem como a variedade e extensão de suas leituras: Kafka, Gombrowicz, Sarmiento, Borges. Verdadeiro laboratório do escritor, aqui é possível acompanhar tanto as suas obsessões (o mundo cosmopolita e babélico de Roberto Arlt, as leis subterrâneas das formas narrativas, a ficção como palimpsesto da História) quanto a lenta transformação da observação crítica em matéria literária – a comunicação completa entre o crítico e narrador, que apresenta por imagens as descobertas que fazem seus personagens, bem como narra ardilosamente os comentários que constrói sobre os livros que lê.”


Los diarios de Emilio Renzi: años de formación (2015)

“Primeira parte do testamento público e literário do escritor, esse volume dos seus diários traz à tona as anotações do jovem Piglia, apresentado aqui de modo deslocado como Emilio Renzi, o duplo do escritor que se fez presente em boa parte da sua obra. Espécie de obra total, para a qual convergem todos os recursos estilísticos, todas as preocupações éticas, todo o prazer do texto, os Diarios tanto sintetizam a obra de Piglia quanto apontam para novas direções, aprofundando o que havia nela de autobiográfico e vital, bem como a capacidade contínua de reflexão de um autor que, mesmo se concentrando nos pequenos eventos do cotidiano (pessoal ou nacional), nunca deixou de atuar como ‘um historiador que trabalha com documentos do futuro’.”

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