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Diante da vitória de Trump nesse 9 de novembro de 2016, resolvemos montar uma biblioteca de guerrilha, uma biblioteca urgente, para traçar a crise que recai diante dos Estados Unidos. São dez obras. Buscamos coletar vozes diversas: do trauma da escravidão de Toni Morrison à “chaga” dos emigrantes de Junot Díaz, passando pelos subúrbios endinheirados e à meia-luz de John Cheever. Que esses livros nos ajudem a entender o momento presente, a crise presente.

 

 

 

 

graça

Graça infinita (David Foster Wallace) – Quem comenta é o tradutor da edição brasileira, Caetano W. Galindo: “A coisa do Graça Infinita é que 'ele sabia' que era muito americana a ideia de eleger um bufão enlouquecido com delírios egoicos e de reformas megalômanas, um cara saído do showbiz... e com um cabelo ridículo. O presidente lá se chama Johnny Gentle, e é uma cruza de Ronald Reagan com Michael Jackson”

 

 

cheever

28 contos de John Cheever (John Cheever) – Uma radiografia dolorosa dos subúrbios ricos norte-americanos, com seus personagens querendo encontrar rasgos de iluminação em meio à alienação identitária.

 

 

pastoral

Pastoral Americana (Philip Roth) – Ler Philip Roth é ter uma certeza incômoda: a bomba está instalada logo ali, no centro da sala de jantar. E nesse romance, que completa 25 anos em 2017, estamos nos segundos finais antes da explosão.

 

 

toni morrison

Amada (Toni Morrison) – O triunfo de Trump é também um sinal do racismo ostensivo a marcar a sociedade norte-americana. A epígrafe do romance de Toni Morrison - sobre uma ex-escrava perseguida pela culpa-fantasma da filha morta - é um verso do livro de Romanos, do Novo Testamento, que ganha agora uma ressignificação importante: “Chamarei meu povo/ ao que não era meu povo/ E amada/ à que não era amada.”

 

 

oscarwao

A fantástica vida breve de Oscar Wao (Junot Díaz) – Um dos romances mais importantes desse começo de século. Como se sente alguém que é lembrado o tempo inteiro que é estrangeiro? E mais: como ser um estrangeiro em meio aos estrangeiros? Díaz fez aqui a alegoria perfeita do alien residente.

 

 

miller

A morte de um caixeiro viajante e outras quatro peças (Arthur Miller) - “Aqui Miller exibe toda a perplexidade do homem médio americano desamparado em tristeza e ruína de alguma coisa que ficou para trás” - definição do escritor Fernando Monteiro.

 

 

todos os belos cavalos

Todos os belos cavalos (Cormac McCarthy) – Também Fernando Monteiro é quem comenta: “nesse livro temos a preciosa forma indireta de McCarthy de se referir a um mundo de perdedores que pensam ser os maiorais. Na verdade, em todos os seus livros o autor se dedicou a entender porque diabos a América perdeu a si mesma”.

 

 

armada américa

Armada América (Fernando Monteiro) – Coleção de contos baseados nessa grande “ficção” que foi a história dos Estados Unidos na segunda metade do século 20. Estão aqui Kennedy, Elvis, um E.T. sobrevivente e vários outros personagens entre o pesadelo e o sonho de se dizer/ de se estar americano. Um livro escrito durante o ocaso do governo de George W. Bush.

 

 

uivo

O uivo (Allen Ginsberg) – Os primeiros versos de O uivo (com tradução de Claudio Willer) explicam bem sua inclusão:


“Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela lou-
       cura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada
       em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,”

 

 

letra

A letra escarlate (Nathaniel Hawthorne) - Encerramos a lista voltando para o princípio: a pedra fundamental da literatura dos Estados Unidos. Toda a perseguição ao “estranho”, ao “marcado”, que assombra a sociedade norte-americana foi aqui alegorizada.

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