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Deixei que a minha raiva se transformasse em uma grande vontade de seguir adiante apesar de tudo, de dar o futuro que eu tanto queria para você e o Banjokô. Às vezes, parece-me que nada é suficiente na vida, nem as coisas boas, nem as coisas más, pelo menos não a ponto de me deter.

Na ocasião do lançamento de Um defeito de cor, três anos depois da criação da lei 10.639/03 e da implantação da política de cotas raciais nas universidades, tínhamos em mãos uma obra que seria uma referência não só literária, mas também cultural e histórica. O contexto social e político do Brasil em 2006 era fértil para as discussões trazidas pelo livro. Mas as políticas de afirmação de identidade criadas desde então encontraram barreiras nos níveis teóricos e práticos. Um vendaval de conceitos reacionários impediu a efetivação das leis e projetos propostos. Percebemos aí a importância da obra, escrita por Ana Maria Gonçalves e da qual o trecho acima foi extraído (p. 453), para esse contexto de ascensão e emancipação do lugar do negro na sociedade.

Fruto de uma pesquisa de quase quatro anos, o épico hoje cumpre o que prevíamos quando de seu lançamento. A repercussão nas universidades e na cena literária, como o prêmio Casa de Las Américas na categoria Literatura Brasileira (2006), já seria um prenúncio da grandiosidade com que estávamos lidando. A mineira Ana Maria Gonçalves, ao publicar uma obra tão vasta, que recupera o passado do povo negro longe dos maniqueísmos e estereótipos tão corriqueiros no nosso arcabouço literário, cria novo paradigma de representação do protagonismo negro na literatura e na sociedade. Além do trato estético cuidadoso, Um defeito de cor nos apresenta um manancial de informações sobre as relações, costumes e cultura dos brasileiros e africanos que circulavam aqui do século XIX. O diálogo com a historiografia – evidenciado nas referências bibliográficas presentes no final da obra – dá vivacidade à trama e acentua o caráter testemunhal da narrativa, tão caro à literatura que trata de minorias ao trazer a experiência dos africanos também responsáveis pela construção do país.

 

 

COTAS, LEIS E SUPERAÇÃO

A obra entrelaça a história do Atlântico negro com a formação do Brasil. O olhar crítico de Ana Maria Gonçalves, transposto para o presente pelas questões latentes do país na primeira década do século XXI, fortalece as ações afirmativas que despontavam naquela ocasião. Ele desmente, por exemplo, axiomas de “intelectuais” que vociferavam ser a política de cotas uma introdução do racismo no Brasil. As peripécias de Kehinde, protagonista da obra, para se livrar da mão de ferro (aproprio-me aqui da expressão utilizada por Conceição Evaristo ao descrever a impressão que o escravismo deixou nos afro-brasileiros) que insistia em subjugá-la, revelam um sistema que perdurou muito tempo e evidencia a dívida histórica para com a primeira geração de trabalhadores que serviu à elite eurocêntrica do país. Esses sujeitos, arrancados de sua terra, trabalharam, civilizaram e semearam cultura, mas tiveram sua memória dilacerada e sua humanidade subjugada ao racialismo, foram tratados como mercadoria.

Kehinde nos narra a viagem do tumbeiro onde africanos de várias etnias eram amontoados sem saber o que estavam fazendo e para onde iam.

Durante dois ou três dias, não dava para saber ao certo, a portinhola não foi aberta, ninguém desceu ao porão e estava quase difícil de respirar. (p. 48)

A política de cotas inaugurada pela reitora Nilcea Freire na UERJ, em 2002, abriu precedente para evidenciar os embates sobre o racismo existente no país e apontar caminhos para a reparação das injustiças cometidas desde os momentos ficcionalizados por Ana Maria Gonçalves. Na mesma medida, a Lei 10.639/03, que veicula a obrigatoriedade do ensino da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena à grade curricular do ensino formal do país. A lei veio para tentar suprir a clara necessidade de implantar uma norma que possa problematizar os silêncios a que foi submetida a cultura de África. No livro, um dos trechos que trabalha esse silenciamento é o ritual do batismo a que Kehinde

 

 deveria se submeter após sua saída do navio negreiro:

Alguém lembrou que o padre tinha dito que, a partir daquele momento, eles deviam acreditar apenas na religião dos brancos, deixando em África toda fé nos deuses de lá [...]. (p. 50)

Minha experiência como professora garante a existência dessa necessidade em pensarmos os silêncios. Vejo o interesse das alunas negras pela história de Kehinde e o espanto diante de sua inteligência e astúcia num exercício diário de sobrevivência e preservação da memória de seu povo. Elas merecem esse referencial de luta e resiliência que encontrei em Um defeito de cor. A literatura produzida por autores negros, nesse sentido, pode trabalhar, aliada à lei em questão, dando visibilidade a obras como essa e tantas outras que nos auxiliarão na reversão de uma cultura na qual os lugares de fala estavam muito bem-demarcados e o silenciamento predominava. A persistência da cultura africana sinaliza a resistência das etnias que embarcavam. A retomada e a reflexão sobre a capacidade de resistir e superar são aspectos da lei promulgada que garantem o exercício da alteridade e criam um canal de identificação importante para a reversão do preconceito gerado pela ignorância.

 

ESCRITA, EMPODERAMENTO

Eu tive acesso a depoimentos emocionantes decorrentes do livro. Há uma comunidade quilombola no Maranhão onde uma assistente social lia para os demais. Uns traziam outros e pediam que se recomeçasse a história. Isso ocorreu por três noites seguintes. Então ela decidiu formar duas turmas de leitura. A maioria dos ouvintes era analfabeta. Muitos deles decidiram voltar a estudar para poder ler Um defeito de cor. Eu acho que há essa necessidade de se preencher uma lacuna, há uma identificação muito forte das pessoas com o romance. [nota 1]

Em entrevista concedida por ocasião do desenvolvimento do meu mestrado, da qual extraí o trecho acima, Ana Maria Gonçalves relata como o acesso à história de Kehinde pode modificar a percepção das pessoas tanto em relação ao mundo em que vivem quanto à sua própria realidade. O romance contribui para o rompimento do maniqueísmo ou benevolência e da manutenção de estereótipos que colocam o negro ora na condição de subalternidade, como frágil, ou autômato. Não é raro encontrarmos, no cânone literário brasileiro, personagens cercados pela ausência de memória, história ou recursos materiais diferentes dos apresentados por Gonçalves, compostos com notável complexidade.

 

O exemplo que a autora traz, sobre quilombolas que decidem aprender a ler e a escrever em decorrência da leitura da obra, é um fenômeno de suma importância quando falamos de reversão das marcas negativas que a escravidão trouxe. O distanciamento das letras promove o silenciamento de uma história mais justa. Esse é o legado de Kehinde.

Um defeito de cor pode ser lido como uma carta da mãe ao filho perdido. A obra incorpora a história do poeta abolicionista Luís Gama (1830-1882) para traduzir a ausência de uma narrativa que trate do período de escravidão no Brasil com olhar mais crítico. Gama afirma, em carta a Lúcio de Mendonça publicada no Almanaque Literário de São Paulo para o ano de 1881, ser filho natural de uma negra, africana livre, de nome Luísa Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã e, já forro, foi vendido como escravo pelo pai português. O romance assume essa trama e descreve os esforços da mãe para encontrar o filho sem perder as esperanças. Na ficção, encontramos o receio de que sua história não chegue ao filho e a escrita da carta como herança deixada ao rebento perdido, na esperança de que ele conheça a trajetória da mãe guerreira e autônoma.

Essa herança é o grande legado do romance que reproduz na vida real os efeitos da ficção. Impele outras mulheres e homens a investirem em sua escrita, a se apropriaram da história para romper com o processo de silenciamen

 

to.

 

A escrita e o empoderamento também estão no controle de Carolina Maria de Jesus (1914–1977) em seu diário sobre os vizinhos que temiam ser parte negativa de suas narrativas. Ou na escrevivência de Conceição Evaristo, ao registrar, em Becos da memória, a destruição da favela e colocar, na personagem Maria Nova, a possibilidade de escrever sua própria história, contar os grandes feitos de sua comunidade e a dor vivida.

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ESCRITA, PERFORMANCE

A literatura de ficção nos possibilita isso através do contato com outros mundos (exteriores e interiores), com dramas, alegrias e tragédias, com culturas às quais não teríamos acesso de outra maneira. A partir desses locais de alteridade, podemos imaginar também novas possibilidades e transformações no mundo ao nosso redor. Para isso, para um mundo em que haja maior representatividade e, consequentemente, mais entendimento e possibilidades, acredito que novas histórias precisam ser contadas. Histórias que fujam à produção hegemônica do mercado editorial brasileiro que é composto, em grande maioria, por homens brancos, héteros, classe média ou média alta, de grandes centros urbanos do Sudeste, escrevendo sobre seus próprios universos ou sobre universos e personagens que, sendo-lhes distante física ou emocionalmente, muitas vezes são representados de maneira estereotipada e/ou exótica.

O trecho acima, de entrevista concedida por Ana Maria Gonçalves à Fundação Pedro Calmon, joga luz nas discussões sobre produção e circulação das literaturas de minorias. Também enfatiza o caminho que queremos delinear nessa trajetória de 10 anos de sua obra, pois toca na importância das produções que tragam novas abordagens e olhares sobre a história e memória da cultura brasileira. A literatura, para a autora, desperta a curiosidade, o inconformismo, o questionamento e a compreensão das contradições e ambiguidades humanas e, por meio dela, entramos em contato com outros mundos, sentimentos, culturas aos quais não teríamos acesso de outra maneira. Nesse sentido, o texto literário seria um local de alteridade no qual possamos imaginar também novas possibilidades e transformações no mundo ao nosso redor.

Essa postura está no cerne da força que existe em Um defeito de cor, na possibilidade de formar mais escritoras e escritores que, a partir de suas diversidades e peculiaridades, possam ter suas tramas presentes no nosso ideal de comunidade, pátria, nação, como Kehinde deseja, ao decidir escrever sua história como herança para o filho perdido:

(…) esta é uma história que eu teria te contado aos poucos, noite após noite, até que você dormisse. E só faço assim, por escrito, porque sei que já não tenho mais esse tempo. Já não tenho mais quase tempo algum, a não ser o que já passou e que eu gostaria de deixar como herança. (p. 617)

A protagonista, ao trazer o filho como interlocutor de sua narrativa, aproxima as gerações e oferece seu maior bem, o passado vivido e presentificado ali na história contada não só da mãe culpada por não ter o filho em seus braços, mas da rota do Atlântico negro e seus percalços, das lutas, mortes e seus generais, chachás, navios. Da superação e toda uma tradição cultural latente. Ao lado de Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves consolida uma tradição de mulheres intelectuais que subvertem a lógica do falocentrismo e do eurocentrismo e trazem à baila a mulher como protagonista e guerreira. Além disso, abre precedente para que outras jovens engajadas possam se arvorar da pena e seguirem o caminho não só da militância, mas da prosa e da poesia que evidenciam um afrofeminino e feminista presente nas jovens Jarid Arraes e Elizandra Souza, por exemplo. Esses são alguns dos muitos nomes na constelação que Um defeito de cor inaugura tanto no plano da produção quanto na ficcional ou poética. A obra promove um desdobramento da autonomia da mulher negra que desafia as condições de produção e de mercado ao escrever um romance histórico de 951 páginas.

Nenhuma mulher é frágil
Temos de Dandara o punho
Que mantemos bem erguido
Sendo nosso testemunho
De que a história feminina
Não é feita pra rascunho.
(Jarid Arraes – trecho do cordel Dandara dos Palmares)

Em Arraes, encontramos o mesmo esforço de Gonçalves: colocar em cena mulheres que, embora com participação importante na história da formação do Brasil, ainda estão sob o véu da invisibilidade. A autora produziu uma série de cordéis biográficos que narram a trajetória de grandes mulheres negras do Brasil, como Tereza de Benguela, Luísa Mahin e Dandara dos Palmares. Para ela, narrar seu povo, seu passado é se apropriar da história e propor uma leitura mais justa da realidade. O fato de seu maior público leitor serem alunos e professores corrobora a importância da Lei 10.639/03 para essa transformação a que Gonçalves se refere ao falar da literatura produzida por essas jovens autoras.

Quero colocar Africanas, Indígenas, Latinas
na mesma luta por dignidade
porque a desigualdade é a mesma nas
estribeiras do mundo...
(Trecho do poema Estribeiras do mundo – Elizandra Souza)

Com forte influência da cultura hip-hop, Elizandra Souza publica seus poemas nos Cadernos negros – antologia anual organizada pelo grupo Quilombhoje, de São Paulo [nota 2] - desde 2005. Sua obra se encontra com a de Ana Maria Gonçalves na medida em que a voz da mulher negra toma consciência da importância e do poder da escrita. Em Águas de cabaça (editora Mjiba), seu livro mais recente, encontramos um processo de produção bastante parecido com o de Um defeito de cor, no que se refere à pluralidade de vozes femininas representadas. Apesar da diferença na dicção – Souza deixa clara a interferência dessas vozes na sua poesia e Gonçalves o faz nos bastidores, quando insere, por meio de Kehinde, a história de dezenas de outras mulheres pesquisadas – encontramos aqui também o movimento de recuperação/fortalecimento da identidade negra e feminina/feminista.

Ao longo desses 12 anos de pesquisa com a literatura afro-brasileira, vejo como essas escritoras apresentam em sua tradição escrita performática, encontrada desde Maria Firmina dos Reis, em sua audácia ao trazer o lamento da escravidão em seu romance Úrsula, até Elizandra ou Jarid. Quando digo performática, refiro-me à ideia de transformação ou redirecionamento dos olhares para além do habitual que o conceito de performance carrega. Nessa esteira, o romance Um defeito de cor é muito representativo por presentificar um passado apresentado pela ótica da intelectual negra que fala, reflete, escreve e se inscreve na história de seu povo. Sinaliza um marco na tradição da escrita de mulheres negras em que o leitor acompanha o movimento de superação da personagem principal, dona da pena e da voz na escrita de sua história. Isso é prova de que, como disse Virginia Woolf em Um teto todo seu, a independência financeira e intelectual são condições primordiais para uma mulher produzir literatura admirável tanto na estética quanto na temática.

 

PRIMEIRA PESSOA

A história de Kehinde é uma história contada. Quando achei que o livro tinha de ser mudado, passando a ser a história de uma mulher que narra sua própria história, quando isso ocorreu, essa mudança veio carregada de experiência, de vivências, o que não necessariamente estaria em uma história contada em 3ª pessoa. [nota 3]

Kehinde é um exemplo de resistência contra o sistema social repressivo a que estava inserida. De uma menina raptada na costa africana para ser escravizada no Brasil, sua trajetória composta de situações dolorosas como a morte da irmã gêmea e a avó na viagem do navio negreiro, o estupro e a perda do filho, cujo próprio pai foi o algoz, deixam isso evidente. A personagem cria mecanismos para libertar-se psicologicamente das adversidades apresentadas.

O episódio do espelho é emblemático nesse sentido. Quando chega ao Brasil, ela se torna pajem da filha do senhor de engenho que a comprou. Notamos que, quando a menina vê, pela primeira vez, a sinhazinha Maria Clara, fica surpresa e encontra a rejeição: “A sinhazinha me olhou com um certo interesse, mas não retribuiu meu sorriso, provavelmente tinha me achado menos interessante e muito mais feia que os outros brinquedos” (p. 78). A ideia de ser um brinquedo exemplifica o processo de coisificação a que esteve submetido o indivíduo escravizado. A falta de identificação promove uma falha no reconhecimento da alteridade; o padrão ideal, ou o referencial do Ocidente, permeia o imaginário de Kehinde e provoca a rejeição de si mesma. Ela afirma que evitava o espelho até o dia em que começou a se achar bonita, e se lembrando do quanto era parecida com a mãe. Esse processo de reconhecimento é capaz de redirecionar as atitudes da personagem para uma nova perspectiva, uma postura resiliente.

A reversão dos valores negativos está na mudança de foco e na elaboração da ideia de beleza oposta a que ela estava incorporando, distante de seus pares e próxima de uma tendência eurocêntrica do Brasil Colônia que ainda persiste em pleno século XXI. Assim, posso dizer que a obra é referencial também por criar outra possibilidade de leitura do corpo e da beleza negra. A voz do africano não finda mais no porão dos navios, nem se restringe unicamente à rota do tráfico negreiro. Um defeito de cor atualiza os conflitos enfrentados e o intento dos que se reconhecem como afrodescendentes em contar uma história que faça mais sentido para seus enunciadores.

 

A URGÊNCIA DA LEITURA

Quando não souberes para onde ir, olha para trás e saiba de onde vens

(epígrafe do capítulo 8 de Um defeito de cor, p. 569)


Vivemos em tempos temerosos, diferente do contexto em que a obra foi publicada. Há 10 anos, o livro pontuou a importância das lutas de movimentos sociais e as vantagens das garantias do processo de valorização das ditas minorias. Discutíamos como enfrentar as adversidades e dar sequência às ações afirmativas. Hoje, lutamos para manter as conquistas ameaçadas pelas políticas de corte, sucateamento da educação e destruição da cultura. A apatia diante do retrocesso é assustadora.

Mesmo assim, percebo que a trajetória desses 10 anos não foi em vão. Nas redes sociais, nas escolas e espaços culturais, livros como Um defeito de cor reverberam como base de uma resistência que não se pauta somente em segurar o rojão. Vejo como há jovens leitores que levaram a sério o ato de protagonizar sua história, assumir seu papel e entrar em cena na defesa de direitos, como Kehinde fez em tantas situações. O romance hoje comemora 10 anos de publicação e pode ser um aporte para nossas reflexões sobre as injustiças do passado e as possíveis saídas para minimizá-las. Ele ainda nos auxilia na revisão da história e nos impele a construí-la de uma outra forma. E, se quisermos seguir o exemplo de sua protagonista, se quisermos praticar o exercício da superação e da resistência, este é o momento.

 

LEIA MAIS: Uma ficção à procura de suas métaforas - sobre criar Um defeito de cor, por Ana Maria Gonçalves

 

NOTAS

[nota 1] DUARTE, C. L. DUARTE, E. A. ALEXANDRE, M. (Orgs). Falas do outro: Literatura, gênero e etnicidade. Editora Nandyala, 2010. Página 333.

[nota 2] Um dos grandes responsáveis pela divulgação e promoção de escritores negros do país, desde 1978.

[nota 3] Do livro Falas do outro, página 327.

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