Foto: Jéssica Mangaba 

Ela diz que não sabe de nada, além daquilo que não pode esquecer. E o que ela não pode esquecer é suficiente para que de muita coisa se saiba. Se lembrar é o que move, escrever não é escolha, é sobrevivência. E quando começa a escrever, por não saber de nada além dos gestos guardados em suas lembranças, Elvira Vigna não estabelece planos, roteiros prévios com começo, meio e fim, planilhas sobre o que, quando e onde as coisas aconteceram. Ela não sabe de nada disso, mas já sabe de tudo, pois lembra tudo. É assim que seus livros nascem, modelados em acontecimentos que ela viveu de frente ou na diagonal (nunca de cima). Não seria diferente com o romance que irá lançar no primeiro semestre de 2016, pela Companhia das Letras: Como se estivéssemos em um palimpsesto de putas, título grande, em redondilha maior perfeita: “Camões não teria feito melhor”, ela dá uma risada.

O momento da risada vem depois. Antes, havia uma mesa em que as putas eram lembradas, e dessas memórias não faz sentido rir. A mesa ficava em meio a uma grande lanchonete de conversas amenas. Ao redor, a retórica da empada de palmito. Mas ali onde a entrevista se dava, apenas três mulheres – a escritora, a jornalista e a fotógrafa – e um gravador. Elvira fala sobre a política do gozo, moralismos, um homem e uma mulher, idas e vindas. Não é uma conversa pesada, mas é forte. “Mas o primeiro livro era pesado”, ela diz, e por isso terminou apagando-o inteiro. Deletou o arquivo em todos os lugares para não deixar rastros. Foi assim que começou: Depois de 40 dias trancada em um minúsculo apartamento em Botafogo, Rio de Janeiro, Elvira terminou de escrever um romance, achou-o “pesado” demais e decidiu jogar tudo fora. Mas a história ainda precisava ser escrita, e rapidamente. “Primeiro porque eu havia acabado de jogar um livro inteiro no lixo e segundo porque sentia que era urgente escrever essa história, pois na minha cabeça ela já estava pronta.” A escritora volta pro apartamento e escreve um outro livro, em outro tom, mas com os mesmos personagens, o mesmo filme se passando insistentemente em sua cabeça. Como se estivéssemos em um palimpsesto de putas nasce assim, ele próprio, como um palimpsesto.

O cenário volta ao ser o Rio e, como já dito, agora no Bairro de Botafogo, num encontro de ruas onde a própria Elvira já morou por 15 anos. O escritório de João fica na Marquês de Olinda, e na Rua Bambina, que cruza com a Marquês, fica o apartamento onde João morava com Lola, e de onde Lola, que no momento da primeira página do livro mora sozinha, joga as fotos do casamento pelo buraco da lixeira condominial, revelando que todo começo é o duplo do fim. Há também a narradora do livro, que mora ali, na paralela da Bambina, a Rua Assunção, dividindo aluguel com Mariana. No mapa, são todas linhas retas que ora se colocam laterais ao mar, ora se dirigem a ele. E, no entanto:

“Linhas retas só parecem retas quando vistas de mais perto do que deveriam. Qualquer um, de binóculos em outro universo, veria que são curvas.
Que transgridem.”

A transgressão nesse romance é, igualmente, uma curva invisível. Que está não apenas na história, mas em como ela é escrita. Numa narrativa que envolve primordialmente um homem contando para a narradora suas inúmeras saídas com putas, vem de uma mulher aparentemente apática e distante o clímax epopeico, a força contida no domínio que só ela tem em criar e domar a tragédia. E esse é apenas um entre os tantos desvios do livro. Existem suposições que, ao longo do relato, vão sendo desconstruídas. Surgem assim as hipóteses. Situações que a narradora elenca como possibilidades para aquilo que ela escuta de João, suas viagens a trabalho e o ritual de ligar para Lola para logo em seguida procurar uma puta na rua. Essa voz em primeira pessoa é de alguém que tenta fragmentar, que busca pelo fim das definições fechadas. Mas João, ali no seu escritório da Marquês de Olinda, é o oposto disso, com claras definições dos espaços que ocupa. Para ele, há um corte profundo entre sua vida matrimonial burguesa e seu relacionamento com garotas de programa. “Vejo o moderno como um lugar de posições contestatórias e o contemporâneo como a convivência dessas posições. No contemporâneo, acabou-se o fixo, acabaram-se as definições e você recupera sua alteridade e sua identificação sem parar. Mas João é um homem moderno”, esclarece a escritora em nossa conversa. João que, como lembra Elvira, andava na rua sem olhar pro chão, mirando alguma coisa que não estava lá. “Andamos pouco juntos, três, quatro passos antes de cada um seguir seu caminho, mas diante de um Rio de Janeiro de calçadas cheias de buraco e cocô de cachorro, essa imagem eu guardei”, conta-me. João, tão estrangeiro à possibilidade da convivência quanto o Meursault de Camus, outro homem moderno da literatura. Nada o abala, nada o atinge, até que.

As deixas. São várias e tecem esse livro em blocos de texto que nunca parecem estar realmente separados um do outro. Eis então que surge aos poucos uma estrutura de espelhos, com palavras que aqui dizem uma coisa, e ali, depois do espaço em branco na página, dizem outra coisa que é, senão o oposto, o confronto dessa primeira. “É como se uma palavra visse a si mesma diferente dela, ali a distância, no outro bloquinho. Existe esse processo de dar significado às palavras na própria distância entre os blocos de texto”, explica. Os buracos em cada página desse romance são, portanto, as ausências necessárias para que a palavra respire e, logo adiante, esbarre com ela mesma vindo na direção contrária. O exercício estético de preencher vácuos.

“Porque há o período de conversas diárias ou quase diárias com João, em que ele fala de coisas onde Lola não está, a antítese de Lola, e que são as garotas de programa. Fala e fala, e muito aos poucos, e só depois dessas conversas acabadas, noto que ele fala e fala, e fala principalmente do que não fala. De Lola.
E que essa era a melhor, ou a única, maneira que havia de falar dela. Não falando. Pela ausência.”

O ver a si mesmo em duplos que se cruzam, se negam e se confirmam, é estendido aos personagens e ao próprio campo de visão que eles têm: “Há um desvio, que acredito ser mais da ordem da metonímia que da ordem do símbolo. Tem um apartamento e tem outro apartamento de onde você pode ver esse primeiro. Tem o João e o Cuíca, que é um tipo de João mais radicalizado. Tem a Lola e a narradora. O Lurian e a Lorean”, lembra Elvira. Pergunto se Lola não é também um pouco a voz da narradora. “Não”, ela responde, “é a narradora quem faz o esforço de chegar até Lola”, imaginando, criando hipóteses, refazendo caminhos para alcançar o ponto em que Lola se despe completamente da fácil elaboração de ser apenas a mulher traída. Eis aí mais uma curva, uma vírgula que te joga pro outro lado da rua. E João, que só procura garotas de programa quando viaja a trabalho, longe do Rio de Janeiro, está ele também longe de ser apenas o marido traidor. Seria conveniente imaginá-lo assim. Mas a literatura de Elvira tem pavor das conveniências. A própria estrutura das frases que estão sempre voltando e se rompendo em tempo e espaço demonstra essa inflexão pelas inadequações. Como, por exemplo, é inadequado sentir afeto por João e, no entanto, ambas narradora e escritora parecem nutrir esse sentimento por ele.

Foto: Jéssica Mangaba

“Há romances em que a estrutura enfatiza o sentido; e outros em que a estrutura se iguala ao sentido”, escreve Toni Morrison. Elvira usou a frase da escritora norte-americana em sua conta no Twitter e me diz depois que, sim, é disso que estamos falando, de uma estrutura de texto que, ela própria, cria o sentido. Não que ela não fizesse isso em romances anteriores, mas há algo ainda mais forte nesse palimpsesto de putas. Não são as putas, mas o arcabouço moralista que as tenta apagar e, no entanto, lá estão elas, na esquina, no fundo falso, do outro lado da parede. E daí as palavras que vão e voltam, dos espaços em branco entre um e outro bloco de texto, do João nesse vazio do homem moderno, estrangeiro, que não se entrega, um homem que, de alguma forma, vai somente porque sabe que, na volta, tudo será tão frustrante como da última vez. Tão vazio.

“João desce a Augusta de um jeito. Volta de outro. Isso sempre. Desde o começo. Desde Lorean. Vai como quem vai para o necessário, o ar necessário, para aquilo sem o qual ele não vive. E volta cabisbaixo, insatisfeito, nunca acontecendo o que imaginou que ia acontecer, nunca sendo tudo tanto, e por tanto tempo, quanto gostaria. E aí, aos poucos, a ida e a volta começam a ficar parecidas.”

O recurso de repetir, entre outras coisas, essa presença do ar: necessário, intransponível e espesso. Cada ambiente tem o seu — o escritório, o apartamento da narradora, os quartos de hotel, os puteiros — e sentimos a densidade específica de todos eles, a descrição do ar como um artifício de proximidade entre nós e essas pessoas que habitaram aquele pequeno quadrado do Rio de Janeiro no fim dos anos 1980, começo dos 1990. O ar que serve também como metonímia para as próprias garotas de programa, cuja presença no núcleo familiar da sociedade patriarcal brasileira é, tal como o ar, invisível, porém inegável. Mas mesmo com essa palpável tessitura das mulheres e dos espaços, João nunca está presente. Ele nunca está inteiramente em lugar algum ou em mulher alguma, pois é incapaz de se entregar. Nem pra Lola, nem para as moças de São Paulo, Brasília, Recife ou Cidade do México. A individualidade dessas mulheres o perturba a ponto dele anular a possibilidade de que elas são, de fato, únicas, têm vontades distintas e, às vezes, fazem xixi com a porta aberta, confrontando diretamente seu sagrado espaço particular.

O esvaecimento das garotas de programa nos relatos que João faz à narradora é, de certa forma, o seu próprio desaparecimento. Sua incapacidade de estar presente é o testemunho de um homem ausente de si mesmo, se apagando e se anulando ele também. Como se estivéssemos em um palimpsesto de Joões. Fechemos o livro por algum momento, olhemos para o lado: há João por toda parte, mas tal como ele tenta negar a existência da individualidade feminina, ou mesmo da possibilidade de existência do “outro”, nos acostumamos a negar a naturalização desse João amigo, pai, marido, filho, irmão e colega de trabalho que desce e sobe a sua respectiva Rua Augusta sem distinguir os rostos das mulheres que cruzam com ele. João vai sumindo, até o momento em que: Lola. A história dele é, na verdade, a grande narrativa dela. Delas. Eis então um novo desvio: quem narra as histórias que João contava sobre as garotas de programa é uma mulher, cuja descrição parece, em vários momentos, ser uma descrição da própria Elvira. O homem e seu poder de autoria somem também. Como o Virgílio de Eneida. No pequeno apartamento que alugou temporariamente para o exercício de escrever em isolamento, a escritora notou uma estante onde a Eneida aparecia em três volumes. O primeiro era o próprio livro de Virgílio, o clássico incompleto da literatura ocidental. O segundo era um livro que fazia referência à obra de Virgílio. E no terceiro já não havia mais rastros do autor original.

“E com uma autoria que fica cada vez mais para trás. Ou melhor, uma autoria que vai se espalhando por várias casas dessa amarelinha, eu mesma virando autora. Se não de uma eneida, pelo menos das histórias de putas de um joão que nunca termina de fato o que conta, e que vai ficando, ele também, cada vez mais para trás. Os detalhes, aqui, são na maioria meus.
Não é de todo mau.”

A ironia não é de toda ausente. Muito pelo contrário, ela atravessa o romance por cima, sobrevoando aquele quadrilátero de Botafogo. Afinal, na história sobre João, os detalhes são dela, a narradora, e a apoteose é da outra, Lola. Os desvios na literatura de Elvira têm essa natureza irônica. Do mesmo modo que têm a natureza feminista, e as duas coisas, tantas vezes, são uma só. Elvira não escolheu João, Lola, Cuíca (o colega de trabalho), Mariana (a garota de programa que divide apartamento com a narradora), Lurien (a transexual) ou mesmo Lorean, a única puta de quem João gravou o nome, porque foi a única com quem brochou. Essas pessoas estiveram lá, naqueles cantos, naquela época, no que não consegue esquecer. Assim como sempre estiveram nessa escritora problematizações políticas que perpassam toda sua obra. Estamos, portanto, diante de mais um romance de Elvira em que questões de gênero se tornam centrais na história, não porque os personagens se moveram intencionalmente para esse caminho, afinal de contas, eles não poderiam fugir do caminho que, de fato, fizeram um dia. Mas, sim, porque o ser literário na autora é também o ser político. Nesse sentido, ela é uma das poucas vozes na literatura brasileira contemporânea a colocar o feminismo como um elemento transversal em seus romances. Isso não necessariamente acontece em discurso direto, mas, sim, nesse claro deslocamento que há quando as mulheres clamam para si os detalhes das histórias deles. Reparos históricos no copo de uísque do patriarcado. Não é de todo mau.

É graças também ao ser político em Elvira que, naquela lanchonete de várias empadas, ao lado da jornalista e da fotógrafa, ela pôde falar sobre o gozo e o peso capitalista que o cerca. “A ideia de que o gozo possa ser quantificado é uma ideia capitalista, não é específica de uma profissional do sexo. Exemplo, as pessoas acham que porque você escreve, fotografa, ensina, você tem prazer em fazer aquilo e, portanto, pode receber menos por isso, porque teu prazer em fazer aquilo está sendo também quantificado como dinheiro. Se você pega um engenheiro que passa o dia no escritório fazendo cálculo estrutural, ninguém acredita que ele vá ter prazer com aquilo, então ele recebe muito.” Mas o que há de específico na troca mercantil entre João e as garotas de programa que ele paga é justamente a não possibilidade do gozo delas. A simulação de controle dele.

"A situação do gozo é perigosa. Você só goza se abre mão de todos os teus controles. Os imediatos, psicológicos e físicos. Gozar é loucura. Mas existem funções sociais bem-estabelecidas. Então, o homem pra conseguir gozar tem que muitas vezes fantasiar o controle absoluto. Na cabeça dele é: eu posso abrir mão de todas as minhas defesas porque estou no controle absoluto. Para estar nesse lugar, ele fantasia que a mulher está amarrada, que a porta está fechada, que ele é dono daquilo tudo. E isso é dado pra ele pela cultura em que vivemos. Mas nada disso é importante. A fantasia dela e a fantasia dele são só isso mesmo, e funciona no sexo. Mas ninguém entende. E aí o que acontece? Ao se levantar e ficar na vertical, as pessoas continuam achando que o imaginário é real.”

CONSTRUÇÃO COLETIVA

A figura da narradora. A mulher que se encontra com João nos fins de tarde, no escritório dele, onde escuta as histórias das putas. Uma personagem de propósitos dúbios e intenções desconhecidas. Ora parece nutrir algum afeto por seu interlocutor, ora cumplicidade por um certo tipo de desnorteio e inclinação para inconclusões. O que a narradora relata vem encharcado dessas dúvidas, transformando a leitura nesse caminho por onde buscamos fragmentos de alguma certeza. “Nenhum narrador meu é autoritário. Não me sinto capaz de encarnar alguém que já sabe tudo o que acontece ou que vai acontecer, que sabe a verdade sobre o mundo”, me fala a escritora. Esse posicionamento de Elvira diz respeito a uma autora que cria seu trabalho a partir de questões que ela se impõe e, por tabela, nos provoca. O que ela busca, e todas as suas narradoras são testemunho disso, não é a obra fechada, são, sim, as possibilidades do que fica em aberto. “Tenho uma noção muito clara de por que escrevo. Não quero nunca que a minha vida seja a vida da escritora. Eu tenho a minha vida e ela não faz o menor sentido. É nela que escrevo, desenho e mostro isso pra outras pessoas para que, juntos, possamos criar algum sentido. É essa construção de significado, por via da estética, e não da lógica, que me interessa”, ela conta. E canta: "Escravos de Jó jogavam caxangá, tira, põe, deixa ficar”. Lembra da cantiga para dizer que importante é a troca, nunca a mensagem.

Colocar-se na posição de construir em cima de significados vários não necessariamente criados por ela é também se reconhecer numa situação de vulnerabilidade que, encontrando Elvira assim, com sua camisa de botões todos fechados, não se imagina ser o seu lugar. Mas é dos desvios que também se constitui a escritora. E, por isso, com ela, é possível falar sobre literatura virando em esquinas incomuns. Pouco afeita aos protocolos que cabem hoje aos autores publicados por grandes editoras – o que é o caso dela –, Elvira já foi crítica feroz dos sistemas que permeiam decisões editoriais. Hoje, ela se diz um pouco mais otimista: “Um bem simbólico, como o próprio nome diz, tem que simbolizar um momento da cultura ou do grupo ao qual você se dirige. Ou seja, se você só publica o que vende, você está publicando defunto. Você só está publicando aquilo porque, de alguma forma, aquilo já foi consumido antes. O novo não vende. Mas, de cinco anos para cá, acho que isso mudou um pouco. Começaram a aparecer editores pequenos que não pretendem vender um milhão de exemplares. Eles nem querem isso. Fazem edições muito bem cuidadas e se comunicam através de redes sociais. É aí entra, de fato, o bem simbólico atual. É um novo caminho e vejo isso com muita alegria. Acho muito mais interessante você ter uma tiragem de 200 exemplares, dar esses 200 livros para pessoas que você quer que leiam e que podem te dar um retorno sobre ele. Cria-se ali um diálogo estético e, nesse contexto, você é, sim, um sucesso absoluto. Não importa mesmo se você não saiu na Folha de S.Paulo, aliás, isso importa cada vez menos.”

“Os dois, andando os poucos passos daquela rua, juntos, indo para o apartamento, em um programa em que dinheiro não é o mais importante. Ambos fazendo o que não está previsto. Uma transgressão, a dela bem maior do que a dele. Porque se o trabalho dela é trepar por dinheiro, ela não faz o que lhe é designado. Decide, ela. E a decisão é a de trepar tendo a certeza de que é porque quer.”

Escrever e falar o que quer, do jeito que quer, é a pequena (grande) transgressão a que ela se permite. O caminho até este momento não foi fácil, assim como também ainda não é fácil. “Tive uma vida muito dura e não esqueço as coisas”. Talvez seja por essa memória a lhe perseguir que Elvira escreva para não precisar voltar. Residente há oito anos da cidade de São Paulo, depois de toda uma vida construída no Rio de Janeiro, ela não pensa em retornar. “Vivi 15 anos na (rua) Bambina. E sempre ando a pé, então aquela rua era muito familiar ao meu olhar. Mas, um dia, ao voltar pra casa, não reconheci aquele ambiente. Isso me marcou muito. É esse olhar desconfortável e não acomodado que essa vinda pra São Paulo me trouxe. Não gosto muito de voltar. Não gosto da experiência da volta. Acho sempre muito ruim. Só a ida é boa.” A entrevista se encerra. As imagens da escritora são registradas pela fotógrafa. Decidimos ir embora. Elvira não esquece do guarda-chuva que levou para se proteger de uma chuva que não veio. Ela não se esquece de nada.

Fotos: Jéssica Mangaba

:: Leia trecho inédito do livro Como se estivéssemos em um palimpsesto de putas ::

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