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De forma declarada, os 35 textos compilados em Contos do tascer da Terra, utilizam a sensibilidade da luz da lua para narrar incríveis causos moçambicanos (com todo o sotaque que é possível inserir na palavra escrita). Com o fantástico deste cotidiano, Mia trata do universal: há desde o mágico do infantil às hierarquias familiares, há natureza e conflitos domésticos, ciúmes, perda e perdão (em suma, há amor). Vlademiro, de Velho com jardins nas traneiras do tempo, é morador de qualquer cidade brasileira que não aguenta mais, apesar de estar num banco de uma praça de outro continente. Noutro dos momentos mais bonitos do livro, no conto-poesia Miaudádivas, pensamentos, dedicado a Manoel de Barros, “ensinador de ignorâncias”, a voz em primeira pessoa afirma entender apenas de raízes, que são vésperas de flor. Não é o caso de Mia Couto, que compreende, traduz e cria — de forma sensível, completa e, ao mesmo tempo, breve — diferentes etapas da identidade de seu país.

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