Libros 2017

 

 

O ano chega ao fim e nos lançamos à problemática e divertida tarefa de tentar pensar os lançamentos/ relançamentos mais interessantes do ano. Chamamos escritores, pesquisadoras, jornalistas, curadores para pensarmos juntos uma extensa lista de livros que dê um panorama plural do que há de melhor no mercado editorial. O resultado você vê abaixo. Os participantes estão listados em ordem álfabética e as obras que eles elegeram foram postas na ordem enviada por eles. 

De cara, adiantamos: Anos de formação – os diários de Emilio Renzi (Todavia) e Anjo noturno, de Sérgio Sant'Anna (Companhia das Letras) foram os mais votados nas categorias livro estrangeiro e livro nacional. 

 

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Allan da Rosa (escritor e arte-educador)

Angola Janga, uma história de Palmares, Marcelo D´Salete (Veneta)

Talvez a grande obra da década e não apenas no universo dos quadrinhos. Nos impacta a imensa habilidade no traço do autor e o domínio das técnicas que se enamoram ao cinema e às artes plásticas em geral, mais a pesquisa de 10 anos e a habilidade literária em compor personagens. 

Entre Orfe(x) e Eunoveau,  Edimilson de Almeida Pereira (Azougue) 

Uma aula de sensibilidade sobre as limites das lógicas de contraste e de síntese frequentes do fervo negro brasileiro e diaspórico. Como fruto apresenta dúvidas muito bem tecidas sobre o horror e as contradições no fazer literário e a força dos cantopoemas que constituem nosso prisma e suor da história.

Traduzindo no Atlântico Negro, organização de Denise Carrascoza (Ogum Toques)

Obra histórica sobre os entrelaces da diáspora afroatlântica, suas possibilidades de fertilidade e frutificação intercultural considerando pesos históricos, as opressões, a criatividade que rasga muralhas e os abismos que se abrem à tradução fundamentada. Muito mais do que um livro limitado a uma seara profissional, é uma reflexão conjunta sobre línguas, imagens, sons e sentimentos negros que magnetiza a qualquer pessoa na luta antiracista pelos campos institucionais.

O teatro negro em perspectiva: dramaturgia e cena negra no Brasil e em Cuba, Marcos Alexandre (Editora Malê)

Um mergulho na estética e na política que transcendem estereótipos no teatro e no universo das representações artísticas. Saboroso, envolvente, fundamentado em extensa pesquisa e entrevistas surpreendentes, é uma obra já fundamental a qualquer reflexão sobre o teatro.

Dia bonito pra chover, Lívia Natália (Editora Malê)

De comover e de pensar friamente, de surfar pelo cosmos e pelas águas cristalinas com suas imagens e figuras, de saborear a pele das palavras e a linguagem úmida. Versos que são flores molhadas e abrem sangrias como tiros. Um livro de inteligência, amor, traquinagens e mel.

 

Bernardo Brayner (escritor)

Anos de formação – os diários de Emilio Renzi , Ricardo Piglia (Todavia)

Aqui já roubo no jogo e coloco os três volumes juntos. O último acabou de sair na Argentina e o primeiro no Brasil. Obra-prima. Aqui tem tudo que um leitor pode imaginar. 

Peste e cólera, Patrick Deville (Editora 34)

A vida de Alexandre Yersin, sucessor de Pasteur, que abandona a pesquisa para viajar pelo oriente de modo rimbaudiano. 

A cena interior, Marcel Cohen (Editora 34)

Tanto já se escreveu sobre a Shoah, mas ainda há maravilhas como essa. Uma obra curta e delicada que conta o desaparecimento da família do autor através de fotos, brinquedos, um bracelete.

Leviatã/Espelhos negros, Arno Schmidt (Abysmo)

O experimental escritor alemão teve finalmente o seu primeiro livro traduzido para português. Português de Portugal.

O método Albertine, Anne Carson (Jabuticaba)

Praticamente inédita no país, a canadense teve esse curto e potente livro lançado por aqui. Mistura de gêneros que torna a leitura uma experiência inesquecível.

A órbita de King Kong, José Luiz Passos (Editora Quelônio)

Um livro perfeito do autor pernambucano. Conta a história de Ham, o chimpanzé capturado nos Camarões e vendido para a força aérea americana que foi o primeiro hominídeo a entrar em órbita. Uma história que só podia ser contada por Passos.

Anjo Noturno, Sérgio Sant'Anna (Companhia das Letras)

O mestre do conto no Brasil escreveu este ano um dos seus melhores livros. 

 

Everardo Norões (escritor e colunista do Pernambuco)

Anos de formação – os diários de Emilio Renzi , Ricardo Piglia (Todavia)

O livro das comunidades, de Maria Gabriela Llansol (7Letras)

Chanson douce, Leila Slimani (Babelio)

Viagem ao sonho americano, Isabel Lucas (Companhia das Letras)

Contos e diários, Isaac Bábel (Editora Relógio D'Água)

Poesia, Daniel Faria (Assírio & Alvim)

Sete rosas mais tarde, Paul Celan (Cotovia)

Myra, Maria Velho Costa (Assírio & Alvim)

Manual da faxineira, Lucia Berlin (Companhia das Letras) 


Fernanda Miranda (Doutoranda em letras pela USP)

Angola Janga, uma história de Palmares, Marcelo D´Salete (Veneta)

Romance histórico em graphic novel que conta a história de Palmares em 432 páginas. O livro é uma obra prima, já nasce histórica.

Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis, Jarid Arraes (Pólen Editora)

A obra resgata trajetórias de mulheres negras de diferentes períodos, regiões e atuações, através do cordel - gênero que tem sido reavivado pela produção da autora.

Antiboi, Ricardo Aleixo (LIRA/Crisálida)

Um dos acontecimentos mais fortes da poesia contemporânea brasileira.

Nossa senhora do Nilo, Scholastique Mukasonga (Editora Nós)

Escritora africana, nascida em Ruanda, pela primeira vez traduzida e publicada no Brasil.

Entre Orfe(x) e Eunoveau,  Edimilson de Almeida Pereira (Azougue) 

Instigante ensaio que parte da potência mitopoética de matriz ioruba para pensar escrita, alteridade e experimentalismo estético.

No seu pescoço, Chimamanda Adichie (Companhia das Letras)

O livro reúne 12 contos da escritora nigeriana que se tornou mundialmente conhecida por seus romances.

Poesia Completa, Gilka Machado (Demônio Negro)

Primeira poeta brasileira a publicar poesia erótica (em 1915). Sua origem negra costuma ser ocultada, mas transparece nos caracteres racistas de alguns críticos sobre sua obra, que estava esgotada até esta publicação.

 

Giovanna Dealtry (professora de literatura brasileira da UERJ)

Anjo Noturno, Sérgio Sant'Anna (Companhia das Letras)

Ponciá Vicêncio, Conceição Evaristo (Pallas)

Como se fosse a casa (uma correspondência)Ana Martins Marques e Eduardo Jorge (Relicário Edições)

Genealogia da Ferocidade, Silviano Santiago (Cepe Editora)

O martelo, Adelaide Ivánova (Garupa)

 

Gustavo Silveira Ribeiro (crítico literário e professor do departamento de letras da UFMG)

Da poesiaHilda Hilst (Companhia das Letras)

Reunião de toda a obra poética de uma das mais importantes escritoras brasileiras, o livro tem o mérito imenso de repor em circulação textos antes difíceis de encontrar, além de dar visibilidade para o conjunto da poesia, que ganha bastante se lido de modo sistemático e continuado, a partir da sucessão dos títulos. 

Fragmentos completos, Safo (Editora 34)

Edição muito bem cuidada da poesia fundamental de Safo, em versão de um dos mais inventivos tradutores da atualidade. O livro faz parte de um movimento que passa por editores, tradutores e poetas de renovação do interesse por textos clássicos da Antiguidade, do qual a publicação da Epopeia de Gilgámesh (Autêntica), outro lançamento de peso deste ano, faz parte.

Meu coração está no bolso, Frank O’Hara (LunaPARQUE)

Primeiro livro publicado no Brasil de um dos poetas mais interessantes das últimas décadas, parte de uma geração brilhante e pouco lida em português. A lírica despojada e casual, o uso muito criativo das possibilidades da prosa, o homoerotismo e a politização do desejo, entre outros, são todos elementos hoje bastante presentes em parte significativa da poesia brasileira contemporânea, bem como na poesia de O’Hara, o que torna mais significativa a publicação do livro.

A cena interior, Marcel Cohen (Editora 34)

Relato autobiográfico comovente em torno de uns poucos restos de memória, traços de sua família que permaneceram junto ao autor depois que quase todos os seus foram deportados para campos de extermínio. A mistura de narrativa e ensaio dá conta da impossibilidade de uma história que sobrevive, no entanto, pelo esforço do estilo e pela pesquisa minuciosa que procura sustentar o caráter documental de um texto apoiado em fatos mínimos, quase insignificantes, mas que ainda assim são tudo, o verdadeiro centro desse delicado labirinto.

Cascas, Georges Didi-Huberman (Editora 34)

Ensaio, narrativa de viagem e pequeno conjunto fotográfico do filósofo e crítico de arte francês, no qual se apresenta uma visita do autor a Auschwitz-Birkenau, a partir da qual reflexões sobre a potência das imagens e a sobrevivência (simbólica, material, biológica) do passado se colocam como questões centrais de um texto ao mesmo tempo teórico e profundamente pessoal.

Anos de formação – os diários de Emilio Renzi , Ricardo Piglia (Todavia)

Primeiro volume dos diários de Ricardo Piglia, material que o escritor passou toda a sua vida preparando. Verdadeiro laboratório do escritor, é uma tentativa de obra total, construída, no entanto, em tom menor: vários gêneros se misturam nele, da crítica literária à narrativa e ao comentário político-social. A poética da leitura desenvolvida intensamente por Piglia ao longo de sua carreira ganha aqui grande visibilidade.

Cerimónias, Maria Filomena Molder (Chão da feira)

Reunião de ensaios da filósofa portuguesa, uma das intelectuais mais importantes em atividade no seu país. Respeitada leitora do pensamento alemão do século XX, ela reúne neste volume, seu primeiro livro editado no Brasil, textos sobre estética moderna, poesia portuguesa, cinema e teoria da arte, nos quais a perícia da escrita (um domínio muito interessante da forma-ensaio) se une à erudição e ao rigor do pensamento.


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[anexo amoroso]

Aqui, Richard McGuire (Companhia das Letras)

Um HQ cuja proposta fundamental, diria mesmo o conceito, é ao mesmo tempo simples e vertiginoso: contar – através apenas de desenhos igualmente compostos entre o despojamento e a sofisticação total – a história de um canto específico da sala de uma casa, visto através dos tempos, em escala pessoal (a vida familiar do autor), histórica (a ocupação daquela porção de território dos EUA) e geológica (as camadas de tempo da terra que se acumularam e sedimentaram ali).

Antiboi, Ricardo Aleixo (LIRA/Crisálida)

Poemas de circunstância, logo textos casuais e fortemente políticos, posto que atados ao seu próprio tempo, querendo sobre ele intervir, esses textos que formam o último livro do poeta mineiro Ricardo Aleixo trazem as marcas do escritor inquieto e experimental, que compõe os seus versos também com o corpo e a voz, para o corpo e a voz, num entendimento expandido da coisa literária e seu lugar entre as artes.

Jamais o fogo nunca, Diamela Eltit (Relicário Edições)

Prosa densa e intrincada, relato de um fracasso geracional que tem o Chile como palco, mas que poderia ser estendido a toda a América Latina, esse primeiro romance de Diamela Eltit publicado no Brasil é um acerto de contas amargo com utopias e desejos revolucionários, do mesmo modo que é também o encontro tenso de dois corpos, amantes que têm nas memórias da luta política o eixo de suas vidas.

 

Igor Gomes, editor-assistente do Suplemento Pernambuco

(a lista se dá em ordem alfabética, não de “importância”)

Heroínas negras em cordel, de Jarid Arraes (Polén Editora)

Jarid Arraes reúne seus cordéis sobre aquelas que continuam reduzidas ou excluídas no imaginário histórico do país. São elas: Antonieta de Barros, Aqualtune, Carolina Maria de Jesus, Dandara dos Palmares, Esperança Garcia, Eva Maria do Bonsucesso, Laudelina de Campos, Luisa Mahin, Maria Felipa, Maria Firmina dos Reis, Mariana Crioula, Na Agontimé, Tereza de Benguela, Tia Ciata e Zacimba Gaba. No livro, há uma clara intenção didática de resgatar as esquecidas pela história e é isso que faz dele um excelente material introdutório para pensarmos, nas escolas, a resistência negra antes e durante o processo colonizatório. Em quase todos os cordéis, Arraes aponta as dificuldades de acharmos as histórias dessas mulheres. “Tive a ideia da série de cordéis com heroínas negras na História do Brasil porque essas referências me faltaram; na escola e na faculdade, nunca me falaram de nenhuma mulher negra que criou algo importante ou marcou a história”, disse a poeta em entrevista ao site do Pernambuco. O livro já cumpriria bem seu papel se fosse um resgate, mas, ao final, há uma seção chamada “Sua história”. Nela, quem leu a obra é convidado a escrever a história de uma mulher negra importante na sua vida. As heroínas, seus corpos e topografias, portanto, não estão apenas nos livros. Estão ao nosso lado, bem aqui, ao rés do chão.

Mandaro + Muito prazer, de Guilherme Mandaro e Chacal (edição independente)

Chacal dispensa apresentações, mas sempre acho importante mencionar (mesmo que gratuitamente) a vivacidade de sua poesia. Neste ano, republicou um fac símile seu primeiro livro, de 1971, o Muito prazer, Ricardo. Junto com ele, vem um volume de poemas, Mandaro. Seu autor é Guilherme Mandaro e o livro reúne seus dois únicos escritos poéticos: Hotel de Deus (1976) e Trem da noite (póstumo). Uma homenagem de Chacal a um velho amigo sem o qual uma geração dificilmente teria encontrado meios para se expressar: foi Mandaro quem teve a ideia de produzir livros em mimeógrafo, dando voz a vários poetas.

meu coração está no bolso, de Frank O'Hara (LunaPARQUE)

Bonito ler O'Hara em sua primeira tradução no Brasil e perceber nele as coisas urbanas que, enfim, são, grosso modo, uma vida ocidental. O'Hara toca a todos com seus amantes, coca-colas, memórias. A tradução é de Beatriz Bastos e Paulo Henriques Britto.

O método Albertine e outros poemas, de Anne Carson (Jabuticaba)

Faço minhas as palavras da tradutora deste livro, Vilma Arêas: Carson é uma escritora que aposta na inteligência. Não é preciso ler Proust para adentrar nos poemas. Lê-los é como perceber uma crítica à crítica, pois emula um discurso que visa acolher de forma sóbria o trabalho proustiano, mas que, atravessado por uma ironia que mostra a incapacidade de domar sua ferocidade, “falha” miserável e maravilhosamente em “seu intento”. Um fracasso performático. Ótima publicação da Edições Jabuticaba.

Por que calar nossos amores?, de vários autores (Autêntica)

Nos mostra a poesia que representa a homossexualidade na Roma Antiga de forma contextualizada, seja por uma apresentação que nos explica a ausência de mulheres ou por breves biografias (pela presença ou ausência de informações). Belo trabalho da editora e dos tradutores Raimundo Carvalho, Guilherme Gontijo Flores, Márcio Meirelles Gouvêa Júnior e João Angelo Oliva Neto.

Sessão, de Roy David Frankel (LunaPARQUE)

Frankel tomou notas da sessão que cassou Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Discursos da pior espécie torcidos de forma a virar poema. Como um canto de cisne da democracia representativa no país ou, pelo menos, da crença nela. 

Sotto você e outros poemas, de John Yau (Jabuticaba)

“Meu nome é Yves Klein. Há uma fotografia minha que você talvez conheça. Vesti meu melhor terno e pulei de uma janela. Meus braços estão bem estendidos, mas não são asas. Não preciso delas para voar. Também não sou o príncipe das nuvens, o albatroz de Baudelaire, caído do céu. Foda-se aquele fascista do Marinetti. Meus braços não são as asas de um bêbado batendo contra a parede. São os braços esticados de um mergulhador. Eu caio sem esforço pelos ares, mas nunca estou completamente caído. Os paralelepípedos e eu nunca nos encontraremos. Flutuo milagrosamenre, e é por isso que você acredita na fotografia mesmo depois de entender como eu te enganei. Não foi difícil fazê-lo. O verdadeiro mágico mostra a todos como fez a mágica, e mesmo depois de ver como você foi ludibriada, você acredita no truque ainda mais. Eu pulei da janela e fiquei no ar, que é onde você queria que eu ficasse. Eu habito a impossibilidade – aquele lugar entre aqui e ali, ainda abraçando os dois”.

(A seleção e tradução dos poemas que compõem o livro de Yau são de Marcelo Lotufo).

 

Joselia Aguiar (jornalista e curadora da Flip)

A família Manzoni,  Natalia Ginzburg (Companhia das Letras)

Armadilhas da fé - Sor Juana Inés de La Cruz, Octavio Paz (Ubu Editora)

Breve história de sete assassinatos, Marlon James (Intrínseca)

Esse cabelo, Djaimilia Pereira de Almeida (Editora Leya)

Coisas que quero saber, Deborah Levy (Autêntica)

Anos de formação – os diários de Emilio Renzi , Ricardo Piglia (Todavia)

qvasi,  Edimilson de Almeida Pereira (Editora 34)

Manual da faxineira, Lucia Berlin (Companhia das Letras) 

O martelo, Adelaide Ivánova (Garupa)

O vendido, Paul Beatty (Todavia)

 

Juliana Bratfisch (doutoranda em teoria e história literária da Unicamp)

Sem sombra de dúvidas 2017 foi um ano maravilhoso para os leitores de poesia. Pra começar, alguns poetas fundamentais de língua inglesa finalmente ganharam edições brasileiras e duas pequenas editoras tiveram um papel importantíssimo nessa empreitada. A Jabuticaba chegou logo no primeiro semestre arrasando, com o pé na porta e dois livros maravilhosos: Os elétrons (não) são todos iguais da Rosmarie Waldrop na tradução do Marcelo Lotufo e O método Albertine da Anne Carson traduzida pela Vilma Arêas e pelo Francisco A. Guimarães. Logo em seguida a LunaPARQUE, editora dos poetas Marília Garcia e Leonardo Gandolfi, publicou uma seleção de 25 poemas do Frank O’hara na tradução de Beatriz Bastos e Paulo Henriques Britto, meu coração está no bolso.

Com Waldrop, Carson e O’hara em português o ano já se tornou um acontecimento e eu poderia parar por aqui feliz e saltitante. Mas como tudo que é bom pode ficar melhor, o Guilherme Gontijo Flores, muso da Flip, deixou esse 2017 mais ainda lindo nos presenteando com suas traduções da Safo publicadas pela 34. Sobrevivendo em fragmentos, sussurros do desejo, a força e a lira de Safo chegam atualizadas em Fragmentos completos e temos a certeza de que Safo nunca deixou de estar entre nós, que ainda hoje cantamos com Safo. Junto com Rodrigo Tadeu Gonçalves, Guilherme também publicou pela Cultura e Barbárie aquele que eu acredito ser o melhor livro de ensaios publicado esse ano e que não poderia estar de fora dessa lista: abordando de forma original as questões da performance, do corpo e da tradução, Algo infiel nos dá chaves valiosíssimas para lermos poesia contemporânea merecendo uma leitura atenta e uma escuta aberta.

Além disso, a Companhia das Letras com a Alice Sant’anna cumprindo com maestria seu papel de editora de poesia trouxe duas poetas contemporâneas de calibre para a casa em 2017 (e é com uma grande felicidade que vejo esses nomes em destaque em todas as livrarias): Marília Garcia chegou com seu quarto livro Câmera lenta e Angélica Freitas com a segunda edição do esgotadíssimo (e mais que necessário) Um útero é do tamanho de um punho. Somadas a Ana Martins Marques elas formam a tríade de poetas mais importantes da nossa geração provando que a mulherada arrasa e arrasa muito.

Falando em reedições e livros que estão à frente do seu tempo, Stella Manhattan do Silviano Santiago venho em boa hora. Em tempos sombrios que somos acuados politicamente, que querem nos botar um limite diante de nossos avanços, talvez nunca tenha sido tão necessário relermos o intervalo tão rico que há entre Eduardo e Stella como processo de individuação, o transbordamento do homoerotismo e veia política deste romanção da porra.

Na prosa também destaco o belíssimo A cena interior de Marcel Cohen, traduzido por Samuel Titan Jr. e publicado pela 34. Cohen através dos perfumes da memória e dos objetos encontrados num porão faz uma linda reconstrução da história de sua família exterminada pelo Holocausto, encontrando uma forma necessária que não violenta o informe, um modo precioso de contar aquilo que se tornou impossível.

Agora é a vez de um livro que eu não esperava nada, mas que realmente me tirou o fôlego: Anos de formação – Os diários de Emilio Renzi, primeiro volume dos diários do Ricardo Piglia publicado pela Todavia. Nos últimos meses passei dias seguidos sentada na minha poltrona ou no café do lado de casa aprendendo muito com Piglia, me deliciando com sua juventude, suas anotações, seus pensamentos e entendendo que toda grafia de uma vida se torna mais rica quando eu se torna um outro.

Por último, “ninguém perguntou por você / eu ri, te citei mesmo assim / como quem não quer nada …” (rs) Em noite de Climão, da Letrux, foi um estrago só, é o álbum do ano, por isso, não arredo o pé, ele entra na minha lista de melhores 2017! Hino atrás de hino, com letra da Bruna Beber , de frente, de lado e de costas, atire a primeira pedra quem não deixou de ler um livro pra ficar dançando na pista ou no meio da sala, cantando os versos de separação cheios de leveza e bom humor de Letrux? Waldrop, Carson, Marília, Angélica, Letrux, Safo num remix muito louco, porque 2017 foi um ano maluco e também foi o ano delas (e eu espero que 2018 continue sendo).

 

Leonardo Nascimento (jornalista e mestrando em Antropologia Social no Museu Nacional/UFRJ)

A marca do Z: a vida e os tempos do editor, Paulo Roberto Pires (Editora Zahar)

Mais que o perfil de um grande editor, A marca do Z faz um ótimo panorama da história das ideias no Brasil durante o século XX. Além da cuidadosa pesquisa e do ótimo texto de Paulo Roberto Pires, a qualidade do projeto gráfico merece ser destacada.

Arqueologias do fantasma: (Técnica, cinema, etnografia, arquivo)Serge Margel (Relicário Edições)

Com um amplo e complexo arco de questões, o instigante trabalho de Serge Margel tem no aspecto fantasmal seu ponto central. De uma pré-história do mundo ao mundo da técnica, o autor pensa em transformações nas quais parece ser o fantasma quem sobrevive, o fantasma quem se confunde com o sobrevivente, tratando-se então de fazer sua arqueologia.

Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva – (Editora Elefante) - Silvia Federici

A obra de Silvia Federici tem como foco a relação entre a caça às bruxas e o desenvolvimento de uma nova divisão sexual do trabalho, demonstrando que a perseguição às bruxas – assim como o tráfico de escravos e os cercamentos – constituiu um aspecto central da acumulação e da formação do proletariado moderno. A edição brasileira é fruto da tradução do Coletivo Sycorax, um grupo de mulheres que se uniu com o objetivo de difundir o acesso à bibliografia com abordagem feminista interseccional e anticapitalista.

Fotografia & Poesia (afinidades eletivas), Adolfo Montejo Navas (Ubu Editora)

Montejo Navas traça, através de uma sofisticada e delicada análise, afinidades eletivas entre os universos da fotografia e da poesia. É importante ressaltar que a poesia aqui é vista pelo autor não como sinônimo de poema, mas como uma forma particular de conhecimento.

Genealogia da Ferocidade, Silviano Santiago (Cepe Editora)

Neste ensaio sobre Grande Sertão: Veredas, Silviano Santiago realiza uma crítica sobre a crítica que tentou domesticar o que ele chama de "o monstro de Rosa". Através de um texto primoroso, o mestre comprova – mais uma vez – que a crítica literária segue pulsante nos trópicos.

Impressões de Michel Foucault, Roberto Machado (N-1 Edições)

Roberto Machado nos presenteia com uma obra singular em sua trajetória, conduzindo-nos através de fragmentos da vida pública e privada de um dos mais célebres pensadores do século XX. Ao dar testemunho da relevância de Foucault, Roberto acaba por demonstrar a grandeza de dois gigantes.

Lima Barreto. Triste Visionário, Lilia M. Schwarcz (Companhia das Letras)

Lilia Schwarcz mergulhou por mais de dez anos na obra de Lima Barreto, entendendo que seria preciso fazer novas perguntas ao autor. As respostas apresentadas pela historiadora e antropóloga são primorosas, não apenas pela genialidade do biografado, mas também pelo apaixonado – e apaixonante – trabalho da biógrafa.

Pas de politique Mariô! Mario Pedrosa e a política, Dainis Karepovs (Ateliê Editorial)

Mario Pedrosa costuma ser mais reconhecido e estudado pela sua trajetória como crítico de arte que pela sua contribuição à política brasileira. Dainis Karepovs presta aqui uma grande contribuição ao pensamento intelectual brasileiro, com uma obra de leitura prazerosa e enorme consistência histórica.

Poesias Reunidas, Oswald de Andrade (Companhia das Letras)

Oswald de Andrade, né?

Úrsula, Maria Firmina dos Reis (Editora PUC Minas)

Conhecer as obras e a trajetória intelectual de Maria Firmina dos Reis é tarefa fundamental de reinscrição da história social da cultura brasileira. Seu romance Úrsula proporciona ao leitor a experiência de adentrar na temática abolicionista pela perspectiva dos próprios escravizados, realizando uma potente inversão dos valores dominantes. Uma reedição essencial no centenário de morte da autora.

*** Já que a obra da escritora Joan Didion é tão mal trabalhada no Brasil, deixo por fim uma dica extra: o documentário Joan Didion: The Center Will Not Hold, recém-lançado no Netflix.

 

Priscilla Campos (jornalista e mestranda em teoria literária)

Kindred, Octavia Butler (Morro Branco)

Lançado em 1979, o romance, ponto alto na carreira de Octavia Butler – grande nome da literatura sci-fi – tem como protagonista Dana, escritora negra que viaja no tempo: de Los Angeles, década de 1970 a uma fazenda escravista no sul dos Estados Unidos, século XIX. Enfim, a felicidade da primeira tradução de Butler no Brasil.

Anos de formação – os diários de Emilio Renzi , Ricardo Piglia (Todavia)

Emilio Renzi: prêmio pop narrador do ano. Tantos textos, fragmentos no Facebook, fotos e mais fotos no Instagram – tanto da capa rosa millennial da edição brasileira, quanto de algum trecho favorito. Um ciclo de verão fecha-se com o lançamento do primeiro volume dos diários, após a perda de Piglia, em janeiro. Penso que o mais assombroso é imaginar como o autor argentino esteve tão próximo de nós, tão mundano e frágil, semelhante a qualquer outro. 

Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva – (Editora Elefante) - Silvia Federici

Um trabalho meticuloso da Editora Elefante, projeto gráfico impecável. Não faz muito, pediam a caça da “bruxa” Judith Butler na entrada do Sesc Pompeia, em São Paulo. Diante desse cenário perturbador, o livro de Federici é uma leitura necessária não só para pensar e analisar o feminismo a partir do viés materialista, mas também como forma de resistência ao discurso que direciona o corpo feminino para a invisibilidade ou para a fogueira.

Manual da faxineira, Lucia Berlin (Companhia das Letras) 

Existe um conto, no livro, no qual um senhor pede para sua neta: arranque todos os meus dentes. Eu ainda não consigo escrever, com detalhes, sobre a minha primeira leitura de Lucia Berlin. Mas, de alguma maneira, parece que esse conto, essa imagem, essa cena dos dentes todos sendo puxados, um a um, representam o tipo de enunciado que a escritora norte-americana quis para a literatura. 

A cena interior, Marcel Cohen (Editora 34)

A cena interior assemelha-se aquele baú antigo no canto da sala, destruído, porém, impávido – depositário das pequenas e brilhantes coisas as que importam tanto e sempre. Cohen apresenta lembranças de vários membros de sua família (pai, mãe, irmã, avós paternos, dois tios e uma tia avó) mortos em Auschwitz em 1943 e 1944. A estrutura narrativa remete à obra do alemão W. G. Sebald, em especial Os imigrantes: uma espécie de álbum com perfis da sobrevivência, desenvolvido através de imagens e do texto cheio de cortes, sempre por se completar. 

adultos não amam (ou dentro do livro estamos protegidos), Sylvia Damiani (Caixa Editora) 

“ele falava norueguês/ jogava futebol/ batia as pontas dos cigarros/ em um vidro de azeitona/ mas eu só pensava em você/ cada dia que você me ama menos/ dói demais.” Este é o primeiro livro de Sylvia – tantos belos lançamentos, nos últimos meses, na poesia contemporânea brasileira, eu fico com os versos dos adultos que rondando os labirintos difusos do amor.

 

Ricardo Viel (jornalista da Fundação José Saramago)

Borges essencial, Jorge Luis Borges (Edição da Real Academia Espanhola)

Para assinalar os 30 anos da morte de Jorge Luis Borges a Real Academia Espanhola (RAE) editou a antologia Borges esencial. Além de incluir duas das obras em prosa mais emblemáticas do argentino (Ficciones y El Aleph), o livro traz uma seleção de seus ensaios e poemas. São mais de seiscentas páginas de e sobre Borges - nove textos de acadêmicos que ajudam a entender a sua obra. Num só volume está a ficção, a poesia e reflexões de Borges sobre a vida, a literatura, o tempo etc. Esse livro agora vive no altar particular da minha casa, ao lado de Rosa, Pessoa e Cervantes.

Como se fosse a casa (uma correspondência), Ana Martins Marques e Eduardo Jorge (Relicário Edições)

Esse poemário da Ana Martins Marques e do Eduardo Jorge é um pequeno tesouro. É um livro minimalista e delicado, assim como os poemas que ele contêm. Trata-se de um diálogo, em verso, desses dois jovens poetas, numa conversa que tem como ponto de partida o aluguel da casa de um deles (Eduardo) pelo outro (Ana). O exílio, o espaço de cada um no mundo, a necessidade de partir ou ficar, e a ideia de casa permeiam esse poemário. Se a casa do poema do Drummond foi vendida com todas as lembranças e pesadelos, o apartamento de Eduardo foi alugado com material suficiente para se construir, a quatro mãos, um belo livro de poesia.

Instrumental – Memórias de música, Medicina e Loucura, James Rhodes (Rádio Londres)

James Rhodes é um pianista britânico nascido em 1975 e que tornou-se conhecido ao apresentar programas de televisão sobre música clássica. Em 2015 escreveu um livro onde conta de forma crua as marcas que as violações sexuais que sofreu durante a infância provocaram em sua vida (uso de drogas, internamento em hospital psiquiátrico, automutilações e planos de suicídio) e de como a música e o nascimento do filho o salvaram. Um livro que, de entrada, não me traria qualquer interesse - nunca tinha ouvido falar de James Rhodes, não gosto de livros “motivacionais”. Mas esse título chegou à minha mesa, comecei a folheá-lo e levei um soco no estômago. No Brasil, a obra foi lançada pela Rádio Londres. 

Anos de formação – os diários de Emilio Renzi , Ricardo Piglia (Todavia)

O que me atrai n’ Os diários de Emilio Renzi – Anos de formação, de Ricardo Piglia (publicado em português pela Todavia, tradução de Sergio Molina), não é a obsessão de um jovem escritor por anotar minuciosamente tudo: as leituras de grandes autores (Camus, Pavese, Proust, Faulkner etc), as ideias para contos e romance (e o trabalho de dar corpo a elas), as angustias da vida, a descoberta do amor e do desamor, os fracassos e dificuldades etc. Também isso, mas sobretudo a tarefa do escritor consagrado que, no fim da vida, se debruça sobre essas anotações - iniciadas em 1957, quando tinha 16 anos, e nunca interrompidas – em busca de dar a elas um sentido. A elas e à vida. Ricardo Piglia, como se vê nos diários, fez da literatura a sua maneira de estar no mundo. E como forma de se despedir dele, edita as suas memórias. Fez de si mesmo um personagem e entregou aos leitores e aos amantes da literatura aquela que é, provavelmente, a sua maior obra.

Verdade Tropical, Caetano Veloso (Companhia das Letras)

Publicada em 1997, a autobiografia de Caetano Veloso foi reeditada este ano numa edição comemorativa que traz uma nova e longa introdução do autor. No livro, Caetano entrelaça as suas lembranças pessoais com a história da música brasileira - a partir do surgimento da bossa nova - tendo com pano de fundo o panorama político e cultural do Brasil. A leitura de Verdade Tropical ilumina um dos momentos mais interessantes e produtivos da cultura brasileira ao mesmo tempo que permite ao leitor conhecer mais da criação e da vida de uma figura fundamental para o Brasil. Caetano é foda, como ele mesmo alguma vez já verbalizou. E o seu livro confirma isso.

 

Ruan de Sousa Gabriel (jornalista da Revista Época)

Anos de formação – os diários de Emilio Renzi , Ricardo Piglia (Todavia)

A dupla Piglia/Renzi habita um espaço entre a vida e a letra, um espaço de total liberdade, onde leitores podem recorrer à literatura para corrigir o real.

Esta vida: poemas escolhidos, Raymond Carver (Editora 34)

Os versos de Carver parecem concretos, como se fossem forjados pelas mãos e as ferramentas de um trabalhador. As metáforas são sólidas – “Hoje, meu coração, como a porta da frente, / está aberto pela primeira vez em meses – e os derrotados são heróis.

Múltipla escolha, Alejandro Zambra (Tusquets)

Ao transformar a narrativa numa sucessão de perguntas de múltipla escolha, aos moldes do antigo vestibular chileno, Zambra transforma a leitura num exercício ético: o leitor pode impedir um bebê de nascer, apagar a memória de um pai cruel ou reescrever a história de um país.

Laços, Domenico Starnone (Todavia)

A narrativa de Starnone mostra que o rancor também é uma espécie de laço, capaz de unir pontas soltas num nó difícil de desatar.

A noite da espera, Milton Hatoum (Companhia das Letras)

A estrutura fragmentária do romance em forma de diário acompanha a passagem do tempo e a política: as entradas espaçadas dos primeiros capítulos refletem a solidão melancólica do Planalto Central nos anos 1960; a correria das últimas páginas faz o leitor quase perder o fôlego, como se fugisse de soldados da ditadura.

 

Schneider Carpeggiani (editor do Suplemento Pernambuco e curador)

A lista a seguir inclui a reedição de dois livros que foram escritos de um outro planeta/ano para 2017, e uma coleção de poemas embalados na forma de um disco pop que tão bem definiu os últimos 12 meses. Cada obra é acompanhada por trechos destacados de forma bem particular.

Um útero é do tamanho de um punho (reedição), Angélica Freitas (Companhia das Letras)

“é um país fascinante/ tem até elefante”

Stella Manhattan (reedição), Silviano Santiago (Companhia das Letras)

“'Ó jardineira, por que estás tão triste? 
Mas o que foi que te aconteceu?'

Stella Manhattan cantarola a canção enquanto abre a janela da pequena sala do apartamento em que mora, e logo em seguida respira o ar frio e poluído da manhã de outubro em Nova York. Incha e desincha os pulmões e o corpo quente exala uma com‑ pacta nuvem de fumaça pela boca como se fosse outdoor de ci‑ garro ou de ferro de engomar na Times Square. Wonderful morning! What a wonderful feeling!”

Manual da faxineira, Lucia Berlin (Companhia das Letras) 

“Não consigo me lembrar quando foi que me dei conta de que nunca mais vi aquele velho índio.”

A órbita de King Kong, José Luiz Passos - (Editora Quelônio)

“A luz dói nos olhos”

Anjo noturno, Sérgio Sant'Anna (Companhia das Letras)

“Eles não são de verdade. Mas digamos que se conheceram há duas horas e meia numa pequena festa em Copacabana, na rua Francisco Mendes, transversal à praia.”

Laços, Domenico Starnone (Todavia)

“Quem está segurando você? Vá! Mas passados dois minutos murmurava: espere, se sente, sua loucura me deixa louca.”

A retornada, Laura Erber (Relicário Edições)

“o poema incendeia, reconsidera, desiste.”

Contos estrangeiros de Fernando Monteiro, Fernando Monteiro (Confraria do Vento)

“Estou ainda na janela. Nosso encontro foi ontem, num outro país, do lado onde o vento do mar se interna nos desertos difíceis. Posso escrever sobre isso.”

De duas, uma, Daniel Sada (Todavia)

"Não nego que algum dia vai me dar vontade de te ver, mas como estarei bem distante, já será impossível. O esquecimento é difícil, porque é como um fantasma que entra e sai de nossos pensamentos quando lhe dá na telha, mas o tempo é mais sábio porque inclui a sua e a minha morte."

meu coração está no bolso, Frank O'Hara (Luna Parque)

“eu tive um professor que passou o verão inteiro sem me dizer/ nada e foi maravilhoso”

O método Albertine, Anne Carson (Jabuticaba)

"a um grupo de crianças a quem pediram que reagissem à palavra

'cabana', algumas responderam 'pequena cabine',

outras disseram 'ela pegou fogo'."
 

Bônus track

Em noite de climão – Letrux

“Parece que é bad mas vou adorar”

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