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Sobre o que de fato fala Judith Butler? Essa talvez seja uma pergunta central, que pouco foi feita diante do tumulto causado por um abaixo-assinado contra sua vinda em novembro para uma palestra no Sesc Pompeia (São Paulo). Tratada como uma espécie de demônio da discussão do gênero pela direita, Butler participa no Brasil de um seminário sobre democracia. Um tema que precisa muito ser discutido hoje no país.

Para oferecer aos leitores uma introdução para a sua obra, convidamos Pedro Paulo Gomes Pereira, doutor em antropologia e professor da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), para selecionar os principais livros da intelectual norte-americana. Todas as obras têm edição no Brasil.

 

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Problemas de gênero (Editora Civilização Brasileira)

Problemas de gênero é um dos livros mais marcantes de Judith Butler. Por diversos motivos. Pela crítica à identidade que empreende. Pela teoria de agência subjacente. Pela escrita provocativa e o profundo diálogo com as teorias feministas. Pela maneira de Butler fazer autores como Derrida e Foucault, por exemplo, falarem diferente, dizerem mais e de outra forma. E pela forma como gênero surge, instável e contextual – o gênero como apenas um ponto de convergência entre conjuntos de relações. Quem acompanha a narrativa de Butler, mesmo o(a)s que dela discordam, acabam sendo atraídos para a leitura de Bodies that matter e Undoing gender, livros nos quais Butler desenvolve e completa os argumentos de Problemas de gênero.
 
Relatar a si mesmo (Editora Autêntica)

Desde Problemas de Gênero, Butler enfrentou uma crítica sobre certa pressuposição da presença, em seus trabalhos, de um sujeito autônomo e soberano de seus atos e desejos, apesar de diversos textos de Butler insistirem no argumento segundo o qual a capacidade de ação não pode ser imaginada a partir da perspectiva de um sujeito voluntarista, livre para escolher irrestritamente. Butler volta a este tema em Relatar a si mesmo. O tema central desse livro é a ideia de que, para sermos inteligíveis, devemos estar fora de nós mesmos, pois somos constituídos pelos outros – cercados por convenções e regras que nos afetam, dependemos dos outros para viver.

Quadros de guerra (Editora Civilização Brasileira)

Quadros de guerra busca se aproximar da seguinte questão: Quais as maneiras pelas quais certas representações do humano originam seres não considerados humanos? Para responder, o livro vai refletir sobre a guerra EUA contra o Iraque, sobre a tortura dos prisioneiros da prisão de Guantánamo. Butler indaga sobre quais vidas são reconhecidas e passíveis de luto e quais as vidas descartáveis. Indaga ainda como o aparato bélico norte-americano atua pela imposição de uma distinção entre as vidas que merecem pranto e aquelas que não podem ser choradas. 

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