Edimilson de Almeida Pereira ineditos jul17

 

O poeta Edimilson de Almeida Pereira lançará, na Flip 2017, o livro qvasi: segundo caderno (Editora 34). Trazemos hoje dois poemas do livro, extraídos da segunda parte (são três), intitulada Missivas

Na Flip, Edimilson participará da mesa "Arqueologia de um autor", com Beatriz Resende e Felipe Botelho Corrêa. O poeta também lança, na ocasião, dois livros de ensaios: Orfe(x)u Exunouveau e A saliva da fala (ambos pela Azougue).

 

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OFÍCIO

Tatear a origem
é iludir-se.

O escrito, à mercê
do que foi dito,
inaugura outro país.

O que se dá nos mapas
em forma
de província, urbe
& melhorias

não é senão um caco
de palavra.

A origem ressona
grave,
sem nação ou pacto.
Há quem a leve

no bolso, em crimes
que nos deserdam.

Outros a curtem sob a
forma de bois de aluguel.
Ou a costuram em óleos
santos.

Mas há os ferinos e seu
humour
que tira o minério
das conchas.

Por eles a origem despista
rendas, misérias
e outros benefícios.

Pela origem
somos-não-somos.
Espécie que escreve
para esquecer.

*

FILOLOGIA

Em Trindade a dor escolhe
uma fissura para dizer
o nome — falsa armadura.

Há os que lhe fornecem
comida em louça que fala
francês aos pequis.

O nome tartamudeia.
Sua maestria é esconder-se
nos criados-mudos.

Porém, ante o sacrifício,
nem salvas nem atritos.
Nem iras.

Nada tira ao corpo
seu prazo imperceptível.

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