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No momento em que crescem e se espalham discursos anticientíficos no Brasil e no mundo, surge a série Botão Vermelho, resultado de uma parceria do Pernambuco com o Instituto Serrapilheira. Por meio dela, escritores e escritoras brasileiras criam ficções a partir de pesquisas conduzidas por cientistas brasileiros.

O projeto, já com seis ficções publicadas, começa, na próxima segunda-feira (1º), sua segunda temporada, com mais seis contos (confira os textos publicados mais adiante).

O nome Botão Vermelho “remete não só à ideia de urgência, mas a um imaginário de narrativas distópicas. Nossa intenção é fazer com que alguns trabalhos científicos atuem como faíscas para que escritoras e escritores brasileiros possam criar universos que flertam com a ficção científica, a fantasia, o realismo mágico, o afrofuturismo e a literatura de gênero de forma geral”, afirma a curadora e editora da série, Carol Almeida. O projeto gráfico e as artes de Botão Vermelho são de Flávio Pessoa.

Conheça a série Botão Vermelho (clique nos nomes):

| Editorial, por Carol Almeida


| Contos

Águas de maio, de Cidinha da Silva
baseado em pesquisa da oceanógrafa Renata Hanae Nagai (UFPR)

As águas da chuva e do mar umedecem medos e as lutas pela memória e pelo território em uma vila prestes a ser desapropriada pela prefeitura.


Lázaro
, de Cristhiano Aguiar
baseado em pesquisa do virologista Amilcar Tanuri (UFRJ) e equipe

As fraturas familiares geradas pelas mortes na pandemia a partir de uma cepa do SARS-CoV-2 que leva não apenas ao óbito, mas à ressurreição dos mortos.

Dédalo antropofóbico, por Eliana Alves Cruz
baseado em pesquisa do professor e engenheiro Igor Dantas Miranda (UFRB)

Dois irmãos negros entram em um supermercado no Brasil. A frase seria banal e não convocaria muitos significados sem a demarcação que esses dois irmãos são dois meninos negros. Eles precisarão lidar com possibilidades hipersensoriais para voltar para casa.

A memória do mundo, por Fábio Kabral
baseado em pesquisa do professor de Ciências Biológicas Natan Silva Pereira (UNEB)

Uma civilização que habita o fundo do oceano e as práticas predadoras de sempre: como uma pesquisa sobre a importância dos corais enquanto repositório da memória marinha se transforma em um conto afrofuturista protagonizado por uma cientista sereia.

Na vastidão, o céu da noite, por Itamar Vieira Jr.
baseado em pesquisa da física e professora Rita de Cássia dos Anjos (UFPR)

Raios cósmicos e singularidades gravitacionais são discutidos por uma professora de física marcada pela história de uma ancestral escravizada.

Rio de meandros, por Socorro Acioli
baseado em pesquisa de Marina Hirota, matemática e professora (UFSC)

No bar, uma conversa entre humanos sobre a conversa das árvores e como estas, ao se comunicarem, tentam preservar sua forma e identidade.

Constelações, por Antônio Xerxenesky
baseado em estudo de Rafael Chaves, físico e pesquisador (UFRN)

Num ambiente fechado e vigiado, duas pessoas presas conversam sobre a ausência de causa e efeito em suas penas. A partir da mecânica quântica surge um conto sobre o estado das coisas.

Na era do fogo, por Ana Rüsche
baseado em pesquisa da professora e geóloga Adriana Alves (USP)

Plínio, bombeiro e protagonista, vê um bólido cair do céu com passageiros, em uma área vulcânica. Os visitantes trazem informações sobre o presente, o futuro e o fogo.